Vice: numa teia de pecados (entrevista c/ Tom Atkinson) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Vice: numa teia de pecados (entrevista c/ Tom Atkinson)

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De Manchester, Reino Unido, os Vice apostam no conceito dos sete pecados mortais e lançam-se às feras da indústria musical com o álbum “The First Chapter”. Para perceber melhor como é que este disco se desenvolveu, do outro lado estava o vocalista/guitarrista Tom Atkinson pronto para responder pelos seus pecados sonoros.

«Tocamos metal honesto!»

As faixas do álbum lidam com os sete pecados mortais. Quão difícil e/ou divertido foi desenvolver o conceito?
Foi interessante sacar isto. Divertimo-nos muito ao tentar compor os riffs e escrever as letras para que correspondessem com a atmosfera de cada canção, pegando em pequenas secções de cada uma e tentar ter a certeza que funcionariam para aquilo que queríamos.

Há alguma hipótese de terem ligado os pecados aos dias modernos ou mantiveram-se ortodoxos?
Foi um pouco dos dois. A [faixa] “Gluttony”, por exemplo, é mais virada para o ortodoxo, vai directa ao assunto sobre o que pode acontecer se uma pessoa for glutona. Por seu lado, a [faixa] “Sloth” toca mais na base do pecado moderno. É sobre pessoas que, basicamente, não saem do computador para arranjarem uma vida, e ficam à espera que ela lhes seja dada.

É engraçado que “Lust” é a faixa maior e a mais orientada ao prog, o que nos leva a relacionar o conceito com a magnitude da própria música. Quiseram ser luxuosos nesta canção específica?
Acho que a melhor maneira de descrever como compusemos a “Lust” é dizer que tínhamos de pegar num pecado que pudesse ser visto de formas diferentes. Tínhamos que a deixar fluir naturalmente durante a fase de composição, o que também a levou a ser instrumental. Tentámos compreender o conceito de que a luxúria começa calma – uma espécie de pecado secreto –, mas, e à medida que o tempo progride, o pecado consegue tomar o controlo de alguém e muda a forma como se reage a diferentes cenários.

Há uma oitava faixa chamada “Web of Iniquity”. Podemos olhar para ela como a conclusão do conceito?
É muito isso! O conceito de teia [web] surge quando perguntas a ti próprio que reino te seria permitido após teres passado por cada pecado – sendo isto, céu ou inferno. Funciona num sistema de chamada e resposta, sendo que a primeira linha é a pergunta feita e a segunda é a resposta.

A press-release classifica-vos como uma banda de modern metal, mas mesmo que possamos sentir vários géneros é verdade que thrash metal é a abordagem mais clarificada. É assim?
Tocamos metal honesto! O metal tem tantas formas de classificar diferentes subgéneros, mas o nosso metal está em constante mudança. Influenciamo-nos em prog, thrash, death, stoner, black – é só dizeres! Depende de como nos sentimos no momento da composição.

Quão longe irão futuramente na abordagem a conceitos específicos? Ou preferem não estar colados a conceitos?
Veremos onde a música nos leva! Nunca dissemos que nos prenderíamos a um conceito, a um certo elemento ou a um género. Se arranjarmos um conceito de que gostamos mesmo, então vamos nessa. É esperar e ver o que o futuro nos reserva!

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