Vircolac “The Cursed Travails Of The Demeter” [Nota: 7/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Vircolac “The Cursed Travails Of The Demeter” [Nota: 7/10]

605381Editora: Sepculchral Voices Records
Data de lançamento: 31 Outubro 2016
Género: death metal

Primeiro lançamento dos irlandeses Vircolac, que, por algum motivo, escolheram uma palavra romena para nome da banda. Em termos sonoros não temos aqui grande novidade, embora a forma como é apresentado não deixa de ser curiosa. No que toca a estilo são-nos apresentados como enquadrados no death metal com influências de black. Por vezes tenho a sensação que será mais o contrário, tal é a influência do black na sonoridade desta banda. No entanto, quando se fala em black, neste caso, estamos a falar do estilo mais clássico, um pouco na linha de Bathory, presente não só na sonoridade instrumental, como no trabalho vocal. No entanto esta semelhança em termos de estilo tem mais a ver com a aproximação que banda faz à música do que propriamente com a sonoridade.

Por todo o EP, no entanto, uma característica é transversal: os Vircolac conseguem manter uma atmosfera negra e pesada que lhes confere uma identidade muito própria. Sem nunca entrarem em grandes velocidades, preferindo-se manter por ritmos mais lentos e de mid-pace, embora a ocasional aceleradela também esteja presente, os temas têm tanto de simples e básicos como de mais complexos, mas sem nunca entrarem em campos de experimentalismo ou elevado requerimento técnico. A produção confere a este trabalho uma sonoridade já não muito habitual nos dias de hoje. O som apresenta-se forte e encorpado, no entanto, surge também como que abafado com os instrumentos a assumirem uma sonoridade mais orgânica e menos limpa, como é usual nas produções modernas. Esta forma de trabalhar o som, sem dúvida intencional, com o seu tom grave, potencia a atmosfera negra que a música gera, como referido anteriormente.

Este trabalho em si, com a estranheza de sonoridade que apresenta, surpreende a início, mas, lentamente, vamo-nos ambientando ao mesmo e acabamos por poder apreciar melhor o que nos oferece.

Em termos de temas, não posso deixar de destacar aquele que considero o melhor do EP, e o que lhe dá encerramento, “Betwixt the Devil and Witches”. Um tema de quase nove minutos e meio de música, sempre em ritmo lento, onde destaco a recta final instrumental capaz de fazer correr arrepios na espinha devido à atmosfera negra e quase macabra que cria.

7/10
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