#ChooseUltraje

Entrevistas

Vulture Industries: tempos interessantes (entrevista c/ Kyrre Teigen)

João Correia

Publicado há

-

rsz_vulture_industries-8234-small-jarle_h_moeFoto: Jarle H. Moe

Se há um termo apropriado para descrever a carreira dos Vulture Industries, terá que ser inconstante. No bom sentido. Álbuns como o consagrador “The Dystopia Journals” e “The Tower” ofereceram ao mundo uma banda capaz de fazer frente e de complementar o complexo som dos Arcturus. “Stranger Times”, o seu registo mais recente, não deixa a criatividade em mãos alheias e vê os Vulture Industries voltar a arriscar, apostando num tipo de metal ainda pesado, ainda sinfónico, mas onde as raízes experimentais e avantgarde da banda se dissolvem um pouco mais para dar lugar a um som mais abrangente e capaz de agradar a uma audiência mais vasta.

Kyrre Teigen, baixista dos noruegueses, parece não concordar com a análise.  «Como sempre, fizemos um álbum através do processo de tentativa e erro, e o resultado foi algo que desejávamos fazer. Acho o álbum muito avantgarde e progressivo, pois procuramos continuamente por novas estruturas e paisagens sonoras para nos exprimirmos sem comprometer as nossas preferências musicais. Assim como anteriormente, nada foi premeditado, exceptuando a ordem de lançamento de músicas no formato de singles/vídeos, o que poderá ser um ordenamento atrevido ou simplesmente estúpido. Havia muitos temas candidatos aos três primeiros singles, que são mais agressivos ou directos ao assunto; logo, quando o álbum é lançado, encontras uma grande variedade de abordagens musicais que reflectem o nosso desenvolvimento natural. Logo veremos se isso nos levará a um público mais alargado. Esperamos que sim, mas também sabemos que este lançamento poderá ser decepcionante para fãs que prefiram o “The Malefactor’s Bloody Register”, por exemplo. Não podemos fazer um álbum para tentar agradar seja a quem for nem ter expectativas de uma grande audiência ou de uma preferência de som específica. Todos os álbuns que lançámos tiveram partes mais simples e mais suaves, algumas músicas com mais pompa, outras mais metálicas. Acho que consegues encontrar todos os aspectos e mais alguns que definem os Vulture Industries em “Stranger Times”.»

 

Ao ouvir o álbum, empatizamos com a banda: vivemos, de facto, em tempos estranhos, onde o terrorismo fundamentalista, as sucessivas crises económicas e o lançamento de mísseis intercontinentais são as notícias antes da hora de almoço. Não é de estranhar que a banda fale sobre estes e outros assuntos bizarros e errados. Há, no entanto, causas que levam o grupo a ter esperança. «Vivemos em tempos estranhos, de facto», retoma o baixista. «À nossa volta, tudo muda e evolui rapidamente e nunca sabemos o que encontraremos ao virar da esquina. Penso que isso é reflectido na temática do disco, mas também que o que antes era impossível é agora possível e que as perspectivas mudam. Para não dizer que devemos estar felizes por ainda vivermos num mundo agradável. Porque o responsável pelas letras é o Bjørnar [Nilsen, vocalista], talvez ele seja o mais indicado para falar amiúde sobre esta questão, mas conheço-o suficientemente bem para saber que há esperança nas letras do álbum, não é tudo negro e deprimente. Em conclusão, “(…) we’ll forever dance as the World burns around us (…)”.»

Talvez estes tempos sejam também responsáveis pela súbita inclusão de rock clássico e post-rock na estrutura musical da banda, como é audível em “As The World Burns”, o primeiro single do novo registo, uma aposta que bebe influências de Nick Cave, Tom Waits, Mark Lanegan ou até José Gonzales. Ainda que seja um género musical tão válido como qualquer outro, nota-se um virar de direcção brusco, o que pode levar a crer que tanto se pode tratar de diversificação e experimentação, como de uma mudança de paradigma sonoro. «Pelo que dizes, percebo que ouviste o álbum na totalidade e que tiveste a oportunidade de verificar as nossas diferentes abordagens musicais», recomeça Kyrre. «Tens toda a razão quando falas do elemento rock. Quisemos criar um álbum encorpado, simples e melódico. Isto não significa que o próximo álbum não será agressivo ou que não soe a metal, mas este é o primeiro álbum que gravamos que resultou como queríamos. Por exemplo, o “The Malefactor’s Bloody Register” era suposto soar a progressivo e saiu o álbum mais metálico da banda. O “The Tower” era suposto ser o mais directo e é o que regista maior pompa e circunstância. As músicas de “Stranger Times” não foram arquitectadas como estão, apenas nasceram e desenvolveram-se, não houve uma mudança de orientação musical propositada. Sim, os artistas que referiste tiveram um papel determinante em esculpir as nossas influências e preferências musicais. Não conhecia José Gonzales, mas já que falaste nele, irei ouvir. Parece-me que estamos a diversificar constantemente o nosso som e isso parece-me saudável.»

 

Sem dúvida que a diversificação musical é uma constante – desta vez, os Vulture Industries convidaram Hans Marius Andersen (saxofonista norueguês) e Herbrand Larsen (ex-Enslaved). A produção do álbum é de Edmond Karban (Negura Bunget), o que não só imprime uma vontade de divergir como deve ter dado origem a expectativas elevadas. «Antes de entrarmos em estúdio pensámos sobre quem iria produzir o próximo álbum, pois queríamos uma nova abordagem e novos olhos e ouvidos durante o processo de gravação. Chegada a altura, não havia ninguém adequado e disponível. Coincidentemente, estávamos sentados a falar sobre o Eddie, dos DorDeDuh, com quem fizemos digressões e com o qual demos vários concertos com ele como engenheiro de som. O Eddie é um tipo de confiança e de espírito aberto, com opiniões pessoais sobre como produzir som e uma ampla base e conhecimentos musicais. Num concerto em Timisoara, Roménia, trouxemo-lo para bordo. Achamos que isso ajudou a criar um som encorpado. O Hans Marius é de uma liga diferente de nós como músico, claro, e o seu desempenho profissional elevou o “Stranger Times” para um novo nível. O Herbrand esteve sempre presente, tendo o seu estúdio na sala de gravação dos estúdios Conclave e Earshot e as suas opiniões e algumas partes de teclados foram importantes».

A promoção do novo álbum começa a 22 de Outubro, em Bergen. Ainda que ocupados até Novembro, há que realçar que os Vulture Industries voltam a não passar por Portugal ou até por Espanha. Ainda assim, a banda quase esteve para tocar em Portugal no final deste ano, mas as coisas complicaram-se. «Sim, marcámos uma data em Portugal para Dezembro, mas parece-me que o festival foi cancelado. Pensámos em tocar em Portugal e Espanha, claro, e sei que aí tocaremos, mas não em 2017. Tem tudo a ver com despesas, distâncias e a quantidade de tempo que podemos dispor entre família e trabalhos. Estamos a construir uma plataforma aos poucos, talvez no ano que vem sejamos convidados para mais festivais e vos incluamos. A nossa prioridade actual é concretizar os concertos da Noruega, Nordeste da Europa, Inglaterra e Europa de Leste. Depois, Rússia/Finlândia/Báltico e Espanha/Portugal/França. De seguida, E.U.A., América do Sul, Ásia e Austrália, possivelmente em 2018.»

Entrevistas

Marduk: a morte é cega (entrevista c/ Morgan)

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Foi em Junho de 2018, pela Century Media Records, que saiu “Viktoria”, o mais recente álbum dos bélicos Marduk e que será formalmente apresentado em Portugal em dois concertos já marcados para 2019. O primeiro acontece a 2 de Maio no Hard Club do Porto e o segundo a 3 de Maio no RCA Club de Lisboa.

Recordando uma entrevista que o mentor Morgan concedeu à Ultraje pela altura do lançamento de “Viktoria”, o sueco considerava que «todos os álbuns [de Marduk] são uma lição de como metal extremo deve ser feito». «Fazemos aquilo em que acreditamos e o que as pessoas pensam é com elas – é assim que vejo as coisas.» Tal como o recente trabalho, Morgan é um tipo espontâneo e veloz a responder às questões que lhe são impostas, e tudo isso espelha-se na forma directa como “Viktoria” é apresentado através de faixas muitíssimo orientadas à guitarra, sendo que cada riff e cada palavra cuspida por Mortuus são como um murro na cara. Ter uma atitude in-your-face é aquilo que, segundo o nosso entrevistado, a banda almeja sempre que grava um álbum. «Ainda é mais directo do que o anterior [“Frontschwein”]», admite Morgan. «Temos uma guitarra e isto é basicamente compor de uma maneira in-your-face – curto, agressivo e pesado em músicas de três minutos. É directo. É como um álbum extremo deve ser.»

“Frontschwein” data de 2015 e ainda está muito fresco por ser um álbum tão bom em vários anos de carreira, por ser imensamente atmosférico e por ter uma temática tão eficaz como a confrontação perante os horrores da guerra. Se fizermos uma ligação ao título, muitos podem achar que os Marduk viraram-se agora para o lado vitorioso da guerra com “Viktoria”. Nada mais errado. «Toda a gente tenta ver a vitória à sua maneira e acho que, no fim, só há uma personagem que sai vitoriosa: a morte. Queríamos um título frio, que funciona muito bem com o simbolismo da capa: simplista, gelado, duro. Queríamos um título simples e directo que fosse o reflexo da temática do álbum.» A capa de “Viktoria” pode parecer imediatamente descomplicada, mas podemos fazer tantas analogias: da cegueira da justiça ao tiro certeiro da morte, a lista de exemplos pode ser longa. Morgan mostra-se, mais uma vez, instantâneo: «Queríamos algo frio e com um estilo de propaganda. Ficámos presos à imagem e acho que funciona muito bem com o simbolismo do álbum. Acho que as pessoas se vão lembrar [de Marduk] quando virem a capa. Às vezes põe-se muita coisa no artwork, mas desta vez fizemos algo mais relaxado e velha-guarda.»

Se antes falou o artista, agora fala o crítico, o old-schooler, o mentor de uma das bandas mais importantes do black metal – mas uma coisa é certa: papas na língua é coisa que nunca demonstra ter. «Nunca quisemos saber de cenas e do que as outras bandas fazem. Não nos sentamos a discutir o que é popular – sabemos o que queremos fazer, deixamos a energia fluir. As pessoas têm medo de dizer o que pensam porque querem manter-se em grupos específicos. Para nós é sobre ter a liberdade total de se fazer o que se quer – que é o que sempre fizemos. Os limites das outras pessoas não são os meus limites, e não quero saber o que os outros fazem. Fazemos as coisas à nossa maneira.»

Quão longe irá Morgan para defender a sua arte? Não muito longe. Ou melhor, a lado nenhum. «Nunca a defendi, não tenho que a defender. Tenho orgulho no que faço, e se as pessoas têm um problema com isso, por mim tudo bem, estou-me nas tintas para quem tenta boicotar ou censurar. Prefiro passar por cima disso e continuar a fazer aquilo em que acredito. Nunca deixaria alguém dizer o que podemos e não podemos fazer. Se as pessoas têm um problema, está tudo bem – farei sempre aquilo que quero. É assim mesmo: ser verdadeiro e leal comigo mesmo.»

(Entrevista integral e original aqui.)

Os primeiros 50 bilhetes têm um preço especial de 18€. Depois de esgotados passarão a custar 20€ em venda antecipada e 23€ na semana do evento. Mais informações estão disponibilizadas nas páginas da Larvae e da Notredame.

 

Continuar a ler

Entrevistas

Mayhem: o novo “Grand Declaration Of War” (entrevista c/ Jaime Gomez Arellano)

Diogo Ferreira

Publicado há

-

A 1 de Maio de 2000 era lançado “Grand Declaration Of War”. Era, naquele momento, a prova de fogo para os noruegueses Mayhem. Ainda que em 1997 já tivesse sido lançado o EP “Wolf’s Lair Abyss”, com Blasphemer na guitarra (que substituía assim o assassinado Euronymous) e com o regresso de Maniac à voz, “Grand Declaration Of War” tinha de marcar um novo rumo seis anos depois do histórico “De Mysteriis Dom Sathanas”.  E marcou! Marcou uma nova direcção da banda, mas também de todo o black metal – com este disco de 2000, os Mayhem foram além dos riffs obscuros corridos e transpuseram a barreira daquilo que seria um dogma dentro do estilo ao utilizarem arranjos próximos da electrónica e ao executarem uma estética vocal que ia para além do berro demoníaco, tendo nós um Maniac com cariz de homem que discursa.

“Grand Declaration Of War” – que segundo fonte da Season Of Mist é o álbum mais vendido da história da editora – atingiu a maioridade há poucos meses e com isso veio a intenção de lhe dar uma nova roupagem sonora. Para tal, os Mayhem recrutaram Jaime Gomez Arellano, conhecido produtor de origens colombianas, que tem no seu currículo bandas como Ghost, Paradise Lost, Sólstafir, Primordial ou Ulver. Sobre  o processo para o qual foi convidado, o homem por detrás de tantos álbuns que se tornaram um sucesso concedeu um breve momento da sua atribulada agenda para responder a três perguntas feitas pela Ultraje.

«Acho que o Rune [Eriksen aka Blasphemer] é provavelmente o melhor guitarrista de metal extremo.»

Quanto consideras “Grand Declaration of War” um marco icónico e quão orgulhosos estás por fazer parte desta nova edição?
Acho que o álbum mudou muitas coisas no black metal, e, sim, acho que é uma jóia. Sou fã de Mayhem desde a minha adolescência quando estava na Colômbia, por isso, para mim, foi uma honra trabalhar nisto.

Quão desafiador foi trabalhar com as fitas obsoletas para recriar o som para algo moderno?
Há um equívoco aqui. A ideia NUNCA foi fazer com que [o álbum] soasse mais moderno! A gravação foi feita para um formato digital antigo que nunca soou bem, sempre foi ténue e áspero. Mesmo que o original soasse bem, tinha aquele som fino e crocante. Fiz a remistura com equipamento analógico para fita analógica de modo a dar mais corpo e profundidade, além de dar o meu ‘toque’. A parte principal do trabalho foi tentar fazer com que a bateria soasse mais realista, porque a gravação foi feita com um kit electrónico com pratos reais. Eu e o Hellhammer [baterista] passámos muito tempo a fazer novos samples da bateria e a ajustar tudo manualmente para que soasse mais realista. O Maniac [vocalista] pediu para que a sua voz permanecesse igual à da versão original, por isso, cuidadosamente, combinei todos os efeitos e níveis o mais próximo que pude.

Quais foram os melhores elementos musicais que descobriste ao dar ao álbum um novo som?
O baixo! É quase inaudível no original. Algumas das partes do baixo são muito boas e destaquei-as, assim como reformular o seu som geral. Também foi divertido ouvir as faixas individuais da guitarra; acho que o Rune [Eriksen aka Blasphemer] é provavelmente o melhor guitarrista de metal extremo, tanto em termos de performance como de composição.

O disco será lançado a 7 de Dezembro pela Season Of Mist.

Continuar a ler

Entrevistas

Um metaleiro também chora (entrevista c/ Pedro Cova)

Pedro Felix

Publicado há

-

«O meu nome é Pedro Cova, tenho 28 anos e sou natural da Mealhada. Neste momento estou a terminar o mestrado em gestão», começa assim a apresentação, estilo Casa dos Segredos, do jovem sossegado e simpático que conhecemos em Abril passado na excursão para o Moita Metal Fest. Desde que nos cruzámos com a página do Facebook “Um metaleiro também chora” que tivemos curiosidade em conhecer quem estava por trás dela. Muitas são as iniciativas que têm como base o metal e que não se consubstanciam na criação ou divulgação directa da música. Neste caso estávamos perante algo que nos é bastante querido – o humor. Mas a carreira do Pedro no mundo da divulgação metálica não começou aqui. «Experimentei tocar bateria e guitarra, mas fazer musica não é a minha praia», relembra antes de referir que a génese da página, que se dá em Novembro de 2014, passou por um desafio entre ele e um colega de licenciatura. Perante o surgimento de páginas como “Um beto também chora” ou um “Dread também chora” decidem criar uma também na mesma linha, e o Pedro, com o metal a correr no sangue, contrapõe a proposta de nome “Uma prostituta também chora” com o agora conhecido “Um metaleiro também chora”. «Fiz logo quatro ou cinco memes, do tipo “Quando estas vestido de preto e está um calor do caralho” ou “Quando estás em frente ao palco e queres ir mijar”», recorda. «No final do mesmo dia já tínhamos 100 likes. Após uma semana alcançámos os 1000 likes. Este número redondo deixou-me a pensar que isto tinha público interessado e comecei a publicar memes de forma regular.» Neste recuar à origem do nome, é peremptório quando refere logo de imediato: «E outra coisa, para mim é metaleiro que se diz, não gosto nada da expressão metálico.»

«Quem nunca viu o Abbath a fazer “abbathices”?»

O humor no metal tem sido debatido ao longo dos anos, com defensores e detractores a opinarem sobre se tudo o que é metal pode incorporar humor. «Para mim, o humor deve existir em todos os estilos de metal, sem excepções», refere-nos relativamente a esta questão, «mas não vou negar que existem estilos mais ricos em conteúdos, e há alguns estilos/bandas que me dão mais gozo fazer memes», reforçando que «uma boa dose de humor nunca fez mal a ninguém – temos músicos extremamente cómicos, até mesmo de géneros mais extremos. Por exemplo, quem nunca viu o Abbath a fazer “abbathices”?».

Mas o objectivo do autor com a página não passa apenas por criar humor tendo por base o mundo do metal. «A missão da página é fazer o movimento do metal crescer em Portugal», explica para depois dizer que acredita que não há publicidade negativa e, como tal, usa o humor para se falar no metal. Assim, começou a tirar partido da dimensão que a página tinha atingido para ajudar a dinamizar o som eterno. «Ultimamente tenho colaborado com bastantes festivais nacionais, tenho oferecido entradas para os eventos, t-shirts e descontos em bilhetes.» As próximas iniciativas passam por oferecer entradas para o Lord Metal Fest, Bairrada Metal Fest, Mosher Fest, entre outros. «Também promovo bandas e eventos na minha página», e em contrapartida cobra um preço simbólico. «Como normalmente as organizações têm orçamentos reduzidos, e como eu gosto de fazer parcerias win-win, costumo pedir sempre uma t-shirt. Como devem imaginar, tenho uma colecção gigante de t-shirts.»

Por falar em t-shirts, a oficial da página foi lançada recentemente e, segundo nos conta, tem sido bem acolhida. «O pessoal gosta da t-shirt», acrescentando: «Para além de comprarem ainda me dão os parabéns e dizem para continuar com isto. São estas coisas que me enchem o coração e me fazem continuar a fazer crescer a página.» E aproveita para fazer um pouco de publicidade: «Na compra da t-shirt tenho oferecido um sticker para colar no carro a dizer “Metaleiro a bordo”.» Para o futuro tem previsto novos desenhos e cores, para além de patches.

Manter uma página sempre a apresentar material novo não é tarefa fácil. Por esse motivo, o Pedro recorre a várias fontes. «Muitos [memes] são de autoria minha», explica-nos, «alguns são publicações de amigos no Facebook, do 9GAG, páginas de humor estrageiras e também os memes que me enviam por mensagem privada para a página». Relativamente a estes últimos, sublinha: «Costumo meter sempre o nome da pessoa que enviou.» Curiosamente, há mesmo situações em que os próprios memes geram memes: «Já tive bastantes comentários que viraram meme; recentemente fiz um a gozar com o Lars e nos comentários alguém disse “um relógio parado acerta mais vezes que o Lars nos tempos”. Fico contente por isso, vejo que seguem a mesma linha de pensamento da página.»

Mesmo assim, não é só reunir ou criar material que satisfaz o Pedro quando procura novos conteúdos para a página. Uma das grandes dificuldades, como ele nos explica, é «provavelmente encontrar bandas que todos conheçam. Gosto de fazer memes em que toda a gente perceba a piada, mas para perceber algumas é preciso conhecer a banda; não quero criar um nicho dentro do nicho, por isso é que se calhar os Metallica são os mais castigados na minha página». Outra dificuldade é a falta de tempo. A terminar o mestrado em gestão, ao ainda estudante sobra pouco tempo livre para se dedicar à página como gostaria, e antevê que, quando se lançar no mundo do trabalho, as dificuldades ainda sejam maiores, mas promete que «a página vai continuar a ter bons conteúdos».

«Ando para realizar um festival de metal na Mealhada, talvez para Junho 2019 o consiga fazer.»

Apesar de todas estas dificuldades, o promotor não pára na sua vontade de fazer crescer a página: «Neste momento estou a desenvolver um website, já tenho o domínio registado – ummetaleiro.com –, mas ainda não está activo», explica-nos em relação ao futuro. «Irá ter uma agenda de concertos de metal em Portugal e passatempos; estou a ampliar a minha rede de parceiros e também um local para vender o meu merch. Criei recentemente conta no Instagram, mas o meu core-business é o Facebook para já.» Contudo, o “Metaleiro” não se fica apenas pelo on-line. «Também ando para realizar um festival de metal na Mealhada, talvez para Junho 2019 o consiga fazer, pois ainda estou a reunir apoios», deixando o desafio: «Quem quiser juntar-se à equipa, o mercado de transferências está aberto!»

Depois do trabalho que tem sido feito, e com o alinhavar do que está para vir, Pedro Cova acha que os nativos da tribo metaleira «ainda são olhados com um pouco de preconceito, apesar de as mentalidades terem mudado de há uns anos para cá – para melhor, claro –, mas ainda falta algum caminho a percorrer». Sobre a cena em si, nota que «ultimamente têm surgido novos festivais de metal». «Acho que o metal está vivo e recomenda-se, e penso que a minha página ajuda o público a descobrir novos locais e a criar interacção entre os seus seguidores», concluindo: «Procuro convencer as pessoas a irem aos festivais e aos concertos. Ouvir só em casa não chega, é preciso estar lá presente!»

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #19