[Exclusivo] Chris Naughton (Winterfylleth) comenta sobre a evolução do Brexit – Ultraje – Metal & Rock Online
Entrevistas

[Exclusivo] Chris Naughton (Winterfylleth) comenta sobre a evolução do Brexit

f1ccc593-45b6-4318-af0f-641839170d8b

«Neste momento acho que as pessoas de ambos os lados da discussão pensam que estão a ser enganadas.»

Corria o ano de 2016 quando os ingleses Winterfylleth lançavam o álbum “The Dark Hereafter”. Numa entrevista publicada no #6 da Ultraje, o vocalista e mentor Chris Naughton deu-nos a sua perspectiva sobre o Brexit, referendo que tinha sido levado ao público pouco tempo antes da conversa que tivemos com o artista inglês. As suas palavras eram claras: «Quem segue a nossa carreira e as nossas entrevistas durante todos estes anos saberá que sempre fomos muito francos em relação à maldade da União Europeia, da oligarquia global e da hegemonia societária no geral.» Mais à frente admitia: «Eu votei para sair e o meu voto nisto foi uma matéria de princípio e não um bater no peito, nem a xenofobia de “Rule, Britannia!” ou algo desse género.»

Após todo este tempo voltámos a conversar com Chris Naughton a propósito do novo álbum “The Hallowing of Heirdom” e, claro, não podíamos esquecer este tópico. Passaram-se longos meses, mas as negociações e a opinião pública estão num impasse. «Penso que é bastante claro para toda a gente dos dois lados do debate do Brexit que o nosso governo não tem o desejo de promulgar a vontade do povo no que diz respeito à nossa saída da União Europeia (UE)», começa o inglês. «De igual forma também é claro que estão a tentar subverter e a manipular de qualquer maneira possível. Neste momento acho que as pessoas de ambos os lados da discussão pensam que estão a ser enganadas – um Brexit falso que vai ser adiado e adiado até que peçam para votarmos outra vez, com o objectivo de, depois, a maioria desejar permanecer na UE porque o governo a tramou.» Para o músico, «os media e o governo estão deliberadamente a transformar isto tudo num debate polarizador e numa saga para todos os envolvidos», sendo que na sua opinião «isso acontece para que todos nos aborreçamos e nos sintamos frustrados até termos vontade de permanecer [na UE]».

Para Chris Naughton, «a agenda para nos mantermos na UE e subverter a vontade da maioria britânica está literalmente por toda a imprensa». «É tão claro que até mesmo para os teóricos não-conspiratórios há obviamente uma grande agenda política em jogos de bastidores», afirma. «Agora aqui estamos, mais de 18 meses depois, e isto está sempre a passar nas notícias – ainda há discussões diárias sobre “um segundo voto” e sobre a votação dos termos do acordo, sobre os impactos financeiros imensos que enfrentaremos e outra qualquer história desgraçada e sombria que eles conseguem sonhar.»

Ao longo da conversa, o seu conteúdo e opinião vai-se crispando ainda mais, vendo mesmo «todo este processo equivaler a traição no seu pior e mais grosseiro, considerado um engano na melhor das hipóteses», seguindo-se uma previsão de cinco pontos detalhados por Chris Naughton:

  1. «Os media vão continuar a dizer-nos que cometemos um grande erro, que sabem tudo melhor, que vamos todos sofrer financeira e socialmente por causa disto e que devíamos sentir-nos culpados por perceber tudo mal.
  2. O governo vai conseguir o pior acordo possível de saída proveniente das negociações com a UE. Algo que ninguém jamais concordou, que é extenso, doloroso e caro. Isto de modo a influenciar opiniões, “porque é tudo o que conseguimos se sairmos”.
  3. Após vários anos de propaganda, má direcção e de se girar à volta do mesmo, um novo partido político (provavelmente o Labour) entra em funções e depois oferece um “segundo referendo” sob a condição de se parar com esta fachada contínua e insensível criada pelos malévolos Tories.
  4. As pessoas vão sentir-se pressionadas a votar remain e vão provavelmente fazê-lo para se acabar com o diálogo e inacção constantes. Assim, a democracia morre e movemo-nos para o que equivale a uma sociedade pós-democrática. Bem, pelo meu ponto de vista já aí estamos, mas isso é outra história.
  5. Os media vão inventar que foi a escolha massiva das pessoas para se ficar na UE e que a verdadeira vontade das pessoas foi feita. Quando, na realidade, o programa de subversão e decepção promulgado pelos nossos governos colectivos nos levará exactamente onde eles queriam: para os Estados Unidos da Europa, com a centralização do poder a mudar-se para Bruxelas e para longe das capitais de cada nação soberana.»

Todavia, o mentor dos Winterfylleth não se esqueceu que esta entrevista estava a acontecer para falarmos de “The Hallowing of Heirdom”: «Parece-me que isto é uma resposta muito profunda, particularmente quando o nosso álbum é sobre a beldade e santidade do folclore e da História. Mas é comovente porque esta é a paisagem da influência política contra a qual estamos a lutar enquanto nações. E isto é só um problema. Não querem saber do resto envolvido na governação de um país, na saúde e na prosperidade das pessoas. De qualquer forma continuamos aqui, irredutíveis, para dar luz a tamanha injustiça e trazê-la à atenção das pessoas.»

“The Hallowing of Heirdom” será lançado a 6 de Abril pela Candlelight/Spinefarm Records.

(post scriptum: este artigo é uma opinião pessoal de Chris Naughton e não representa qualquer ponto de vista da Ultraje, sendo que nos mantemos neutros na matéria Brexit)

Topo