Wintersun: Sol de Inverno numa Noite de Verão (entrevista c/ Jari Mäenpää) | Ultraje – Metal & Rock Online
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Wintersun: Sol de Inverno numa Noite de Verão (entrevista c/ Jari Mäenpää)

Wintersun2017b(Foto: Onni Wiljami Kinnunen)

«Fomos muitos transparentes para com os nossos fãs, contámos tudo e dissemos o que queríamos alcançar com os próximos álbuns.»

A campanha
Eram sete da tarde, mas o Sol ainda brilhava fortemente quando encontrámos Jari Mäenpää, o vocalista de Wintersun, a relaxar, sentado, a um canto do backstage do Vagos Metal Fest. Cumprimentos feitos e cadeiras postas frente-a-frente, iniciámos a conversa precisamente sobre a campanha de angariação de fundos para o álbum mais recente, que se intitula “The Forest Seasons”. Sabido que foi uma campanha destemida e feita com paixão, Jari anui que, realmente, arriscaram tudo e que, inicialmente, algumas pessoas até se mostraram chateadas pelo facto de acharem que a banda estava a implorar por dinheiro; no entanto não era assim: «Os nossos fãs é que nos sugeriram isso e, ao início, nem estávamos entusiasmados, mas depois encontrei-me numa posição muito má por causa da falta de meios para fazer um grande álbum, como o “Time I”. Decidimos que tínhamos de fazer algo. Comecei a pensar na campanha, pus o “Time II” na gaveta e comecei a compor o “The Forest Seasons”. Durante a campanha, as coisas começaram a mudar e as pessoas perceberam os nossos motivos: fomos muitos transparentes para com os nossos fãs, contámos tudo e dissemos o que queríamos alcançar com os próximos álbuns.»

É verdade, do lado mais sensível da questão, houve quem tratasse os Wintersun como gold diggers, o que leva Jari a dizer que «todas as bandas recebem algum ódio». No entanto, a forma como reage a isso foi-se alterando ao longo dos anos, como recorda: «Há uns anos irritava-me com os trolls e começava algumas guerras na secção de comentários [das redes sociais], era divertido… [risos] Mas a certa altura percebi que era uma perda de tempo e que não podes vencer algumas mentalidades, por isso é deixar andar. Por causa da campanha algumas pessoas sugeriram que estávamos a ser gananciosos, mas criámos um produto, demos muito de nós para isso e estávamos a vender esse produto através da campanha.»

De acordo com a Indiegogo, a banda já atingiu quase 500 mil euros, mas o vocalista salienta que «o objectivo final ainda não foi atingido», porque depois dos impostos pagos ainda são precisos os tais 500 mil euros para se construir o tão desejado estúdio. Contudo, as coisas estão a correr bem: «Temos mais meios e até me mudei para um apartamento um pouco maior onde me posso estabelecer e gravar lá as vozes. Vai ser muito mais fácil fazer álbuns, mas ainda não será um estúdio profissional.»

«As pessoas já perceberam que é só uma referência a Vivaldi e não uma influência musical.»

O novo álbum
“The Forest Seasons” foi lançado em Julho passado pela Nuclear Blast e, devido ao título, Vivaldi meteu-se no meio da discussão, mas o finlandês acha que «as pessoas já perceberam que é só uma referência a Vivaldi e não uma influência musical». Pondo logo isso de parte, discutiu-se sobre aquilo que o conceito do álbum realmente é e como as Estações do Ano foram perfeitamente separadas em faixas, sendo, por exemplo, a do Verão muito épica e as do Outono e Inverno muito negras e sombrias: «É como o sinto pessoalmente. Para algumas pessoas o Outono pode ser muito bonito com aquelas cores alaranjadas, mas para mim o Outono é muito negro.» Tendo em conta que é o ponto de vista do artista, contrapusemos ao explicar que o Outono também pode ser revigorante porque depois segue-se a Primavera com mais luz e cores garridas, o que o levou a relembrar o processo de “The Forest That Weeps (Summer)”: «Escrevi a faixa do Verão no final da Estação, e é sobre celebrar a vida e sentirmo-nos vivos, mas também há aquele sentimento triste de que o Verão está a acabar e que o Outono está a chegar.» Portanto, por mais épicas e elevadoras que algumas partes do álbum possam ser, aquele ‘empurrar para baixo’ não desparece completamente. Coisas de quem é do Norte…

«As orquestrações e as vozes [de “Time II”] estão concluídas.»

“Time II” – facto ou ficção
“Time II” já tinha sido referido no início da conversa e, pelos vistos, está na gaveta. Mas será que há algo substancial ou é tudo mito? Jari dá uma enorme gargalhada e confirma que sim, que existe, revelando que «as orquestrações e as vozes estão concluídas, mas as guitarras, bateria e baixo não estão bem gravados» e que é «preciso fazer um re-amp às guitarras». Ainda tentámos puxar a corda e descobrir se “Time II” virá depois deste “The Forest Seasons”, mas Jari, sempre com poucas certezas para o futuro, responde que não sabe e que «depende de quando conseguir finalizar as canções» para assim ganharem um corpo completo, quiçá já no quartel-general dos Wintersun.

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