#ChooseUltraje

Reviews

Wolfpakk “Wolves Reign” [Nota: 7/10]

João Correia

Publicado há

-

wp_row_c_600x600Editora: AFM Records
Data de lançamento: 28 Abril 2017
Género: heavy metal / hard rock

Numa altura em que qualquer disco lançado por pessoal de cabelo comprido, eyeliner e cabedal é automaticamente rotulado de metal, é fácil de perceber por que é que tanta gente anda confusa com o género. Não façamos confusões: o metal está melhor que nunca e de grande saúde.  Prova disso são certas bandas que são capazes de criar emoções fortes como puro amor ou puro ódio, caso de Nightwish, Asking Alexandria, Avenged Sevenfold ou Lamb of God, entre tantas outras que são apelidadas de “next big thing” mesmo que o burburinho inicial dure apenas até chegar a próxima “next big thing”. É bom que haja pluralidade e muitas opções por onde escolher, mas quererá isso dizer que ignorar modas e lançar um álbum honesto de metal indo às raízes do género, o heavy metal, é sinal de retrocesso ou teimosia? De todo, principalmente quando o resultado final é “Wolves Reign”, o último trabalho dos Wolfpakk. Como se não bastasse a banda ser encabeçada por duas figuras clássicas do género, e porque heavy metal/hard rock sempre foram sinónimos de excentricidade, nada como convidar 23 (VINTE E TRÊS!) ilustres colaboradores para dar uma mãozinha aqui e ali. E com colaboradores quero dizer membros dos Saxon, W.A.S.P., Pretty Maids, Avantasia, Yngwie Malmsteen, Evanescence e Ozzy Osbourne, entre outros. O resultado é o esperado, ainda que soe mais a Hellowen era “Keeper of the Seven Keys” do que o que eu previa: é um álbum maduro de heavy/glam metal extremamente melódico e inovador em rigorosamente nada, mas é um trabalho tão cheesy, tão meloso e tão bimbo (tudo no bom sentido) que é impossível não começar a cantarolar aqui e ali. Depois, já tinha referido que certas faixas parecem Helloween da era de ouro? Logo, podem contar com longos solos virtuosos, métricas clássicas, vozes que ultrapassam as três oitavas e, claro, uma produção mais cristalina que água de nascente, tudo isto sem apanhar uma descomunal seca. Será assim tão mau lançar mais um álbum que não acrescenta nada de novo ao metal? Com a quantidade de coisas que saem para o mercado hoje em dia, atrevo-me a dizer que é muito mais honesto do que muita coisa que por aí anda, que o digam faixas como “Wolves Reign” ou “The Ten Commandments” e, na minha ótica, o disco aproveita essa honestidade muito bem. Vou ouvi-lo mais do que duas ou três vezes? Provavelmente, não. Mas sei que, quando quiser ouvir algo bom para desenfastiar, posso pegar neste álbum.

Reviews

The Casualties “Written in Blood”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Editora: Cleopatra Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: punk rock

Fundados em 1990, chegamos a 2018 e nenhum dos membros actuais de The Casualties pode contar a história desde o início, ainda que o primeiro álbum “For the Punx” date apenas de 1997. O único original até há bem pouco tempo era o vocalista Jorge Herrera que abandonou a lendária banda de punk rock em 2017. A substituí-lo temos David Rodriguez que até empresta o seu conhecimento em línguas hispânicas ao longo do álbum, aqui e ali. Posto isto, Jake Kolatis é o elemento mais antigo, a tocar guitarra no grupo desde 1993, seguindo-se-lhe Marc Eggers na bateria desde 1995 e Rick Lopez no baixo desde 1998. E pegando neste último, refira-se desde já que o seu instrumento está muito bem representado ao ponto de se ouvir incessantemente e de forma preponderante em relação ao rumo que o ritmo e melodia dos temas ganham – o que é tão necessário e bonito de se ter no punk rock. Conceptualmente, a banda de Nova Iorque continua a desafiar as normas sociais e a querer derrubar a injustiça sociopolítica; já as riffalhadas mantêm-se coesas e corridas como a malta deseja no género e na banda, mas também podemos encontrar uma ou outra malha mais thrashy e leads mais rock n’ roll, o que não é de estranhar e até salpica o som dos The Casualties com as influências que ainda hoje Kolatis & Cia. têm dentro de si.

“Written in Blood” é um disco que pode não trazer nada de novo ao punk – salvo, porventura, um arranjo ao piano na faixa “Feed Off Fear” –, mas a essência honesta da música que tocam é intocável ao fim de 11 álbuns. Com uma produção limpa – os punks também merecem –, é impossível estar-se quieto a ouvir The Casualties, por isso não te assustes se as tuas pernas começarem a querer dar coices.

Nota Final

Continuar a ler

Reviews

Flageladör “Predileção Pelo Macabro”

Rui Vieira

Publicado há

-

Editora: Helldprod Records
Data de lançamento: 02 Novembro 2018
Género: speed/thrash metal

Os Flageladör são uma banda querida por cá. Divulgados primeiramente pela Irmandade Metálica (possivelmente, a primeira entrevista para Portugal) e Herege Warfare Productions da Covilhã, a propósito do seu álbum de estreia – “A Noite do Ceifador” -, como quem não quer a coisa, já vão no seu quarto LP, entre vários splits. Mais uma vez, as premissas deste projecto/banda, oriundo de Niterói (Rio de Janeiro) e que tem o carrasco Armandö Executör como mentor e elemento original, são bastante simples e eficazes: old speed/thrash metal na onda de uns Living Death, Razor ou Destructor. Acrescem umas pitadas de Sodom. Aqui não há que enganar e já sabemos ao que vamos quando o assunto é Flageladör. Isso significa qualidade e ambiente 80s no seu expoente máximo e espírito underground, onde nada falha, desde os tópicos e imagem até à própria produção musical do trabalho. Todos os reverbs, bateria acústica e pequenos defeitos estão lá. São 10 faixas, sendo que a última, “M.A.F. (Morte Aos Fachos)”, é exclusiva para a Europa. Trinta e quatro minutos repletos de riffs cortantes e incisivos, solos eficazes e alguns refrãos para repetir em uníssono nas audições seguintes, é a receita dos brasileiros. Destaque para o tema-título, um épico de 12 minutos, algo nada habitual nas composições do niteroiense.

Armandö Executör, o fundador e a alma de Flageladör, é um nome que – juntamente com, por exemplo, Igor Lopes dos colegas Em Ruínas – tem erguido e ressuscitado o old school speed/thrash metal brasileiro nos últimos 10 anos. De forma sustentada, vêm construindo uma base sólida de admiradores, tanto no Brasil como em Portugal, país onde – finalmente – actuaram pela primeira vez no SWR (XXI) deste ano. Nota final para a excelente capa, a de um jovem a descobrir o prazer do heavy metal, ouvindo com largos headphones e olhando para a capa do vinil enquanto o demónio se revela por trás e se apodera da sua alma. Exactamente como era nos saudosos anos 80. Sendo um projecto pessoal de Armandö (a sua cruzada pessoal pelo verdadeiro metal), há garantias que continuará a erguer a sua bandeira de guerreiro underground e a gritar a plenos pulmões: “Unidos Pelo Metal… Flageladör!!!”

Nota Final

Continuar a ler

Reviews

The Browning “Geist”

Publicado há

-

Editora: Spinefarm Records
Data de lançamento: 26 Outubro 2018
Género: metalcore / electro

A nova proposta da banda de Kansas City deixa bem patente, desde os primeiros instantes, que continua fiel às raízes no metalcore mas que o futuro está inevitavelmente associado a sonoridades mais industriais. A electrónica encontra-se mais uma vez profundamente integrada nas malhas de guitarra, assumindo sem medo um papel cada vez mais importante, guiando o desenrolar das músicas.

O álbum oscila entre momentos fortes, preenchidos de muita intensidade, e espaços para respirar onde a electrónica sustenta todo o criar de ambientes, bem como a diversidade temática. A prestação vocal de Jonny McBee uma vez mais cobre todo o terreno, desde as passagens mais melódicas e ternas até aos típicos growls de death metal, servindo-se, como seria de esperar, de toda estilística associada ao metalcore. Ao nível das guitarras estamos totalmente submersos no universo do metalcore, alicerçado em riffs e desprezando os leads.

A maior surpresa é sem dúvida “Carnage”, que inclui uma arriscada secção que estaríamos à espera numa qualquer faixa de pop/hip-hop, e que conta com a presença do rapper Jake Hill – que irá certamente polarizar a legião de fãs da banda. A música que dá nome ao álbum contém, provavelmente, os melhores riffs de todo o lançamento, enquanto em “Amnesia” e “Skybreaker” encontramos as maiores tentativas de expandir os horizontes em termos de composição.

Um passo importante para a banda que, contudo, não fará grande mossa no panorama actual.

Nota Final

 

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #17