[Reportagem] XX Aniversário do Hard Bar (Bustos, 19.05.2018) – Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] XX Aniversário do Hard Bar (Bustos, 19.05.2018)

Terror Empire (Foto: Jon Tavares)

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The Blood Of Tyrants + Booby Trap + Destroyers Of All + Terror Empire + WAKO
19.05.2018 – Hard Bar, Bustos

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Na comemoração do vigésimo aniversário do estabelecimento, a gerência do Hard Bar não olhou a despesas e proporcionou cinco concertos de heavy metal para quem quisesse continuar a apoiar o movimento. Foi por isso que a Ultraje apareceu de surpresa, sem anunciar, e disposta a conhecer as salas ou recintos menos falados do país. Embora o Hard Bar não seja propriamente um local desconhecido das bandas nacionais, nota-se cada vez mais uma centralização de exibições nas duas cidades mais óbvias, o que faz com que o público do resto do país fique privado de assistir a bons concertos, até de bandas nacionais. Depois, trata-se de um recinto que já apresentou sessões de aquecimento de eventos como o Laurus Nobilis, o que garantiu a forte afluência de público para uma noite especial.

Cerca das 22 horas estrearam-se em palco os The Blood Of Tyrants, um jovem grupo de death metal do Porto. Sofreram imenso com um som lastimável onde a viola-baixo estava anormalmente mais alta do que as guitarras, o que prejudicou a prestação da banda. A guitarra-solo desdobrava-se em esforços, mas não se ouviu rigorosamente nada devido ao péssimo som que abraçou o público. A vontade esteve presente, a qualidade sonora nem tanto.

Seguiram-se-lhes os lendários Booby Trap e o que parecia ser um problema de som deixou de existir. Claro que 25 anos de experiência ajudam a ter mais conhecimentos de som em palco, mas, ainda assim, não explicam os três pregos de bateria em apenas duas músicas. «O nosso baterista é o único que está bêbedo», informou Pedo Junqueiro, vocalista, e de repente ficou tudo explicado. Os Booby Trap acabaram por dar um bom concerto, com Pedro Azevedo a esbanjar bons solos de guitarra ao longo de toda a actuação.

Após, foi a vez dos Destroyers of All. É caricato pensar que uma banda que um dia foi eleita banda do dia pela revista Terrorizer continua injustamente a marcar passo no marasmo inexplicável (ou, muito pelo contrário, mais do que explicável) que é Portugal. No final da noite, foi mais do que óbvia que a prestação do quinteto de Coimbra não só foi a mais sólida como a mais celebrada da jornada: não houve uma única música que não tenha gerado slam e bastante confusão em frente ao palco, com especial destaque para “Into The Fire” e “Hate Through Violence”. Também Alexandre Correia é uma figura de destaque na banda devido à fluidez e complexidade dos solos de guitarra que executa com total confiança. No estúdio em fase de gravação de um novo disco, nada como esperar para ver o que aí vem ainda este ano.

Também de Coimbra vieram os Terror Empire, bastião do thrash das Beiras. Iniciaram o seu concerto com “You’ll Never See Us Coming”, faixa inicial de “Obscurity Rising”, o seu mais recente disco datado de 2017. Também puderam contar com um  excelente som e nota-se  que a banda não poderia falhar nem que quisesse, tal é a simbiose entre os seus elementos. Alguma comunicação com o público, desempenho cirúrgico e um set enérgico a que os conimbricenses já nos habituaram por todos os palcos do país fizeram desta actuação um bom momento, ainda que expectável.

Lá fora havia bolo de aniversário para as cerca de 150 pessoas que compareceram ao chamamento do Hard Bar. Lá dentro, do lado do bar, provavelmente os melhores hambúrgueres e definitivamente as melhores asas de galinha fritas que vi à venda neste tipo de eventos. Até porque metal e obesidade (ou pelo menos gula, vá) andam de mãos dadas desde sempre. Entre comidas e bebidas, velhos amigos e novas caras riram, fizeram rir e mantiveram a lista de gente viva actualizada.

Acabados os votos de parabéns, houve ainda tempo para a prestação dos almeirinenses WAKO, que despejaram o seu death/groove metal perante uma sala cheia, cansada e feliz. Infelizmente, também não foram o colectivo com o melhor som – estridentemente alto e que impossibilitou de perceber algumas partes com melhor nitidez. Em termos de actuação, foram um relógio de alta precisão que dispensa grandes apresentações.

Noite incomum entre Coimbra e Aveiro, não pelas bandas em si, mas pela muito reduzida oferta de concertos de metal na zona centro. O Hard Bar está de parabéns por insistir em remar contra a maré, bem como a centena e meia de resistentes que decidiram apoiar em vez de falar em apoiar.

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Texto: João Correia
Fotos: Jon Tavares

(Um agradecimento especial ao Jon Tavares pela cortesia em disponibilizar-nos fotos do evento.)

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