#ChooseUltraje

Reviews

Battleroar “Codex Epicus” [Nota: 9/10]

Pedro Felix

Publicado há

-

Editora: Cruz del Sur
Data de lançamento: 15 Junho 2018
Género: heavy metal

É inquestionável que “épico” é algo que corre nas veias do povo que nos deu a Ilíada e a Odisseia, pelas mãos de Homero. “Épico” é, assim, e também, a palavra de ordem que define os Battleroar. No entanto, é preciso traçar linhas relativamente à definição de épico. Aqui épico tem peso e medida, é refinado ao ponto mais perfeito, bem temperado com um toque de melancolia e não entrando em explosões grandiosas e espampanantes. É o épico das histórias, pequenas e grandes, o épico equilibrado, sério, que não é grandioso, mas sim impregnado de alma e sentimento.

A sonoridade de Battleroar tem evoluído de forma estável desde a estreia com o álbum homónimo, passando por mais três trabalhos para, quinze anos depois, mostrar toda a sua qualidade neste “Codex Epicus”, que supera todos os anteriores.

Contrariamente a muitas outras bandas que abraçaram sonoridades mais épicas, os Battleroar mantêm-se num registo mais próximo do heavy do que do power metal, revelando mesmo influências de Iron Maiden. Temas longos, repletos de força, sentimento e melodia oferecem-nos quase uma hora de música de qualidade. Desde o melancólico “Sword Of The Flame”, que conta com a participação especial de Mark Shelton dos Manilla Road, passando por “Chronicles Of Might”, tema imbuído de uma beleza única onde os coros no refrão nos hipnotizam, terminando no bónus “Stronhold” que fecha em grande estilo o conjunto, “Codex Epicus” tem a capacidade de nos hipnotizar e maravilhar com a sua diversidade sonora e a sua qualidade musical, tanto de composição como de execução. Junto à soberba voz de Gerrit Mutz e aliado ao impecável trabalho das guitarras, que nos presenteiam com solos e riffs memoráveis, temos o baixo de Sverd que marca bem a sua presença e recebe todo o devido mérito de uma produção sem falhas.

“Codex Epicus” é, assim, um trabalho preparado para enfrentar o teste do tempo e que merece, e sempre merecerá, ser revisitado uma e outra vez.

Reviews

Rebel Wizard “Voluptuous Worship of Rapture and Response”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Editora: Prosthetic Records
Data de lançamento: 17 Agosto 2018
Género: heavy/black metal

O projecto australiano Rebel Wizard pertence àqueles casos de nicho e de segredo mas está na altura de puxar Bob Nekrasov da toca, ainda que o projecto não esteja esquecido nos meandros do underground – afinal de contas, Rebel Wizard está na Prosthetic Records, casa de bandas como Exmortus, Hour Of Penance, Skeletonwitch ou Venom Prison.

O que se passa de tão interessante nesta banda, e em especial neste “Voluptuous Worship of Rapture and Response”, é a mistura que o artista faz entre black metal e heavy metal tradicional. Curioso é também o detalhe que Nekrasov deseja dar aos seus temas, com foco directamente apontado ao comprimento dos títulos: “The prophecy came and it was soaked with the common fools forboding”, “The poor and ridiculous alchemy of Christ and Lucifer and us all” e “Mother Nature, oh my sweet mistress, showed me the other worlds and it was just fallacy” são os melhores exemplos.

Mas como o que importa realmente é a música, em Rebel Wizard tanto podemos sentir o poder melódico e épico de um lead virtuoso heavy metal sacado lá dos anos 1980 – o que geralmente acontece no início dos temas – como podemos ser invocados a participar em rituais misticamente obscuros através de paredes de som cruas e agressivas que nos remetem a sonoridades black metal típicas de países como Austrália e Nova Zelândia, falando portanto de uma crueza sónica bastante pestilenta e gritante.

Que é bom não há dúvida, restando apenas a questão: e se isto fosse captado e produzido de forma mais profissional e polida? Se ouvires este disco poderás fazer a mesma pergunta e talvez não saibas a resposta, porque se a ala heavy metal é capaz de pedir uma captação mais diamantina, as excursões ao black metal estão bem pensadas por mais que se ouça muito ruído estridente. Todavia não será esta dicotomia que nos vai travar de ouvir Rebel Wizard.

Nota Final

 

Continuar a ler

Reviews

Massive Wagons “Full Nelson”

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Editora: Earache Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: rock

O Verão de 2018 tardou mas chegou e para tal nada melhor do que rodar um bom disco de rock n’ roll. Como o Verão não há-de ir já embora, acreditamos que ainda vamos ter muitas ocasiões para ouvir este regresso dos Massive Wagons que, ao longo de 12 faixas directas, nos proporcionam um bom momento musical repleto de malhas rock n’ roll que se inspiram no passado mas que se projectam no presente devido a uma muito boa produção. Todos os membros desta banda inglesa sabem onde se posicionar e todos têm o seu spotlight, mas na verdade esta é uma banda de colectivismo e não individualismo, sendo que tudo funciona muito bem quando unidos faixa após faixa. No entanto, o destaque vai indubitavelmente para Baz Mills que se apresenta um vocalista rock dos quatro costados com um sentido de catchiness incrível que resulta em refrãos orelhudos – mas lá está, sem os companheiros seria impossível chegar-se a secções musicais tão boas, caindo nós na mesma observação anterior de que os Massive Wagons funcionam realmente bem em conjunto. Particularmente, e mesmo com muito humor à mistura, a banda não esquece a crítica à vida digital que levamos em “China Plates”, arranja espaço para uma power-ballad em “Northern Boy” e recorda Rick Parfitt (Status Quo) numa nova versão de “Black to the Stack”. Indicado para fãs de Audrey Horne.

Nota Final

Continuar a ler

Reviews

Reviews avulso: Moenen of Xezbeth | Zero Down

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Moenen of Xezbeth “Ancient Spells of Darkness…” [Nota: 6/10]
Editora: Nuclear War Now! Productions
Data de lançamento: 01 Agosto 2018
Género: black/doom metal

Devotados ao black metal em mid-pace, este projecto belga tem uma orientação crua que arranca de nós sentimentos cavernosos e obscuros muito à custa da sua sonoridade dungeon, provando que é uma produção rude que faz sentido nesta abordagem musical. Há ainda uma inclinação ao doom que se enquadra no tal andamento a meio-passo. Todavia, e por mais honesto que possa ser, as parecenças entre faixas representam o toque do alarme no que ao enfado diz respeito, já que as malhas de guitarra, a voz e a bateria não saem de uma zona de conforto originada no início do disco. Ainda assim, vale a pena mencionar os teclados que oferecem atmosfera e a tal condução a soundscapes oriundas de caves húmidas.

 

-/-

Zero Down “Larger Than Death” [Nota: 6/10]
Editora: Minotauro Records
Data de lançamento: 10 Agosto 2018
Género: heavy metal

Heavy metal old-school naquela vertente NWOBHM é o que podemos esperar desta banda sediada em Seattle (EUA). Malhas corridas, twin-guitars, baixo grosso, algumas vozes high-pitched e até cowbell – está tudo neste “Larger Than Death”, mas falta algo… E deparamo-nos com o problema quando percebermos que os Zero Down não querem passar do revivalismo doutros tempos. Contra isso nada, mas a indústria musical, os fãs e os críticos dão ar de si se quiserem que o tradicional seja respeitado, ainda que com o arrojo de se estar no Séc. XXI e tentar um ou outro toque mais moderno. Esta nova proposta tem o seu vigor próprio, mas falta-lhe um kick épico e realmente cativante que não se destaca alargadamente. Bem tocado, mas pouco memorável.

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #17