[Reportagem] Blood Red Throne + Pestifer + Corpsia @ Cave 45 | Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] Blood Red Throne + Pestifer + Corpsia @ Cave 45

rsz_brtFoto: Pedro Félix

Blood Red Throne + Pestifer + Corpsia @ Cave 45, Porto – 21/09/2017

Mais uma vez o Cave 45 foi palco de um excelente cartaz para mais uma noite memorável de metal no Porto. Naquele que se previa ser um banquete de death metal, a notícia da saída de cartaz dos lisboetas Trepid Elucidation deixava um gosto amargo na boca. Prontamente, a organização encontrou substituto nos brasileiros Corpsia, thrashers de filiação, a quem ficou a responsabilidade de abrir a noite.

Uma guitarra a rasgar, uma voz agressiva, um baixo de apoio e uma bateria incansável foi com o que o público, que aos poucos enchia a sala, se deparou. Os Corpsia abriram para uma sala praticamente vazia, mas que não demorou a ficar bem composta. Com um thrash bem enraizado em Slayer, de estrutura simples mas bem vocacionado para os palcos, os Corpsia deram boa réplica e cumpriram com o que era exigido deles pelo cartaz onde se integravam. O set apresentado compunha-se quase exclusivamente de faixas do álbum de estreia, “Genocides In The Name Of God”, como “Prophecy” ou “The Rite”, dois temas cheios de garra, sobrando apenas espaço para o tema-título da demo “Order From Chaos”. No fim do concerto os elementos da banda mostravam-se satisfeitos e prometiam voltar dentro de um ano com um novo trabalho na bagagem.

 

De seguida foi a vez do death metal subir ao palco e lá permanecer até ao fim da noite. A jogar em casa, os Pestifer encheram o palco e debitaram um death metal intenso, onde os riffs massivos e a intensidade da bateria massacravam, no bom sentido, os presentes. Para amplificar ainda mais a intensidade da actuação, em frente ao microfone estava um rugidor capaz de fazer o leão da Metro meter a cauda entre as pernas e fugir, tal era a potência demonstrada. A promoverem o seu excelente álbum de estreia, “Execration Diatribes”, os Pestifer tocaram-no na íntegra apenas com uma pequena alteração na ordem dos temas.

Depois de tão esmagadora exibição, onde parecia que o exíguo espaço do Cave 45 ia rebentar tal a intensidade do som, o público estava mais do que aquecido e sedento por mais.

 

Das frias encostas da Noruega chegaram os Blood Red Throne, de regresso a Portugal após a sua presença no SWR XVII. Embora pequeno, o palco mostrou ter espaço suficiente para albergar os cinco gigantes que lá se moviam. Desde cedo a interacção com o público mostrou-se uma característica que se iria manter até ao final. Yngve Chrisiansen, vocalista e senhor de um poderoso “moinho”, em conversa antes do concerto, dizia que os Blood Red Throne quando tocam não o fazem a partir da cabeça mas sim do coração, e isso notou-se bem durante toda a actuação. A entrega total, o entrosamento entre todos e a relação com o público tornaram a noite inesquecível. Apresentando um leque de temas extraídos de todos os álbuns que já editaram, excepto do primeiro, como nos referiu o baterista Freddy Bolsø no final do concerto, incluindo mesmo “Gore Ancore”, do single do mesmo nome editado este ano, os Blood Red Throne mostraram, assim, toda a intemporalidade do seu death metal através de um set que tinha tanto de coeso como de intenso.

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