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Entrevista com o escritor António Parada; Análise de “Adão e Eva”

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Há pouco mais de um ano, António Parada entrou no universo do metal português da forma mais inesperada: lançou um livro. No entanto, “A Guardiã” não era um livro qualquer: juntava ficção científica, terror, erotismo e heavy metal em doses quase iguais, num enredo que cativou e conquistou leitores entre os fãs da nobre arte. Agora, o autor de 45 anos oriundo de Sesimbra, que também é inspector da Polícia Judiciária, regressa com “Adão e Eva”, uma obra mais centrada no sobrenatural mas que não dispensa uma boa dose de heavy metal através da sua personagem principal.

Qual foi a tua inspiração para este novo livro?

As minhas fontes de inspiração são plurais e conhecidas: literatura e cinema fantástico; iconografia presente nas temáticas do heavy metal e as minhas vivências pessoais. Esta obra não é excepção. Entre outros, pretendi homenagear uma geração muito específica, filha dos anos oitenta, onde uma ideia utópica de modernismo e esclarecimento esbarrava, a cada passo, com uma mentalidade entranhada de “antigo regime”. Moral católica, servilismo e provincianismo depararam-se com novas correntes de pensamento e filosofia de vida, onde um amante de heavy metal não mais era que e encarnação do mal puro… Confirmando o fim dos tempos.

Se na primeira obra existiam alguns sinais autobiográficos na personagem principal, pode considerar-se que nesta também existem?

Existem! São evidentes! Sou um dos privilegiados; um dos eleitos que teve a honra de crescer numa década de fortes convicções ideológicas, onde rivalidades políticas ombreavam com a necessidade de afirmação, de pertença a um grupo, a uma tribo. Reconheci no heavy metal o meu elemento musical e assumi por inteiro uma determinada forma de estar, irreverente e contestatária que moldaram a minha personalidade de forma irreversível. Os meus valores, temores e ódios estão presentes no livro da primeira à última página.

Continuas a ter o heavy metal como elemento quase central das tuas obras. É algo que planeias manter ao longo de toda a tua carreira ou admites escrever livros sem esse elemento e, quem sabe, de outros géneros literários também?

É provável que o heavy metal, para além da sua vertente musical, esteja sempre presente nas minhas narrativas, quer directa, quer indirectamente. Gostar de heavy metal implica, na minha opinião, uma visão muito própria da realidade que nos rodeia. Porém, não quer isto dizer que irei escrever sempre num mesmo modelo narrativo. Adoro o fantástico e o insólito, mas sou de igual forma um apaixonado pela história e pela filosofia. Não recuso um desafio diferente no futuro.

“Adão e Eva” contará com duas novas apresentações: a primeira a ter lugar no dia 23 de Janeiro, na Fnac de Oeiras, com Marco Resende dos Forgotten Suns a assumir a tarefa de orador. Os Sinamorata serão a banda convidada. A segunda apresentação acontece no dia 6 de Fevereiro, na Fnac do Chiado, com Luís Goulão (Shadowsphere) como orador e Inner Blast como banda convidada.

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ADÃO E EVA – UMA ANÁLISE

Uma obra cativante e de leitura obrigatória para fãs de Stephen King, que cimenta António Parada como um dos novos talentos da literatura policial e sobrenatural em Portugal.

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Um grupo de amigos fãs de heavy metal. Uma jovem atraída pelo sobrenatural, tatuada e livre das constrições de pensamento e costumes do Portugal rural dos anos 80. Um jovem, ambicioso e vicioso padre que ascende na hierarquia da igreja enquanto se entrega aos mais vis crimes sexuais e perversidades. Uma cascata amaldiçoada de onde se liberta a morte e o horror. “Adão e Eva” tem todos os ingredientes para cruzar com relativa mestria horror, sobrenatural, erotismo e referências ao mundo do heavy metal. António Parada já o tinha feito, embora com uma receita mais sci-fi, no livro anterior, mas em “Adão e Eva” acelera a dinâmica da narrativa, por via de uma descrição mais directa, de diálogos mais efectivos e de uma melhor coesão em todos os géneros literários que engloba. A história está bem engendrada e é contada de forma cativante e sem grandes rodriguinhos. Um dos pontos menos fortes de “A Guardiã”, que era a aparente falta de coerência na inclusão de elementos do imaginário heavy metal na história, fica agora resolvido com uma colocação mais central do género musical no centro da narrativa e dos acontecimentos, enquanto ao mesmo tempo se faz uma espécie de ponto de situação dos poderes da igreja e do contra-poder da música mais extrema no Portugal recém-saído da ditadura. Uma obra cativante e de leitura obrigatória para fãs de Stephen King, que cimenta António Parada como um dos novos talentos da literatura policial e sobrenatural em Portugal.

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Nuno Bettencourt, Tom Morello e Scott Ian tocam tema de Game Of Thrones

Diogo Ferreira

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Consagrada como uma das séries mais populares de sempre, Game Of Thrones, que terminou na última madrugada, teve a capacidade de exultar nos seus fiéis seguidores todas as emoções desde o seu início com o genérico criado por Ramin Djawadi.

No clip abaixo, Djawadi é acompanhado por Dan Weiss (criador da série), Tom Morello (Rage Against The Machine), Scott Ian (Anthrax), Nuno Bettencourt (Extreme) e Brad Paisley numa jam session com as novas guitarras Fender em que tocam precisamente o tema principal de Game Of Thrones com muito free-style solista pelo meio.

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Sabaton History Channel, ep. 15: o Barão Vermelho

Diogo Ferreira

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No novo episódio do Sabaton History Channel, Joakim Brodén e Indy Neidell escolhem falar do tema “The Red Baron” que pertence ao próximo álbum “The Great War”, a ser lançado a 19 de Julho pela Nuclear Blast.

O Barão Vermelho é um do ícones heróicos da I Guerra Mundial que, simultaneamente, engloba a mecanização e a romantização da guerra moderna com as suas habilidades e heroísmo. Manfred von Richthofen é o nome verdadeiro do piloto que é, então, recordado em mais um episódio do Sabaton History Channel.

Mais episódios AQUI.

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Jinjer ao vivo no Resurrection 2018 (c/ vídeo)

Diogo Ferreira

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Foto: Veronika Gusieva

Abaixo podes assistir à prestação dos Jinjer no Resurrection de 2018. Recentemente disponibilizado pelo próprio festival, este vídeo servirá para aguçar a vontade que os fãs desta banda têm para os ver no Vagos Metal Fest deste ano. Nos quase 40 minutos de concerto, os Jinjer executaram temas como “Words Of Wisdom”, “I Speak Astronomy”, “Pisces” ou “Captain Clock”.

O EP “Micro”, lançado em Janeiro de 2019 pela Napalm Records, é o registo mais recente dos ucranianos que, como referido, actuarão no Vagos Metal Fest, evento que se realiza entre 8 e 11 de Agosto. Stratovarius, Six Feet Under, Satyricon, Candlemass, Death Angel, Watain e Alestorm são alguns dos nomes do cartaz.

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