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[Exclusivo] Hoofmark: chegada à Ultraje (editora) e como criar um monstro de Frankenstein musical

Diogo Ferreira

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Originalmente lançado em Novembro de 2016 por via digital e cassete, “Stoic Winds” é o primeiro álbum do projecto português Hoofmark e será editado pela Ultraje em formato CD no dia 8 de Dezembro de 2017.

De Lisboa, Nuno Ramos não conhece limites nem rótulos, e é também por isso, pelo seu risco conceptual, que Hoofmark merece uma versão física renovada que figure nas estantes dos coleccionadores.

Se temas como “Amongst a Sea of Darkness”, “Stoic Winds” e “From the Foot of God’s Throne” são influenciados pelas eras arcaicas do black metal, com Bathory, Mayhem e Burzum à cabeça, a faixa “Dust Trails” elabora uma mudança de sonoridade que aborda os géneros country, blues e americana com dissonâncias e crueza a toda a largura, mostrando que o artista não vai com modas mas, sim, com alma. E se, a seguir, com “Dust Trails Blazing” formos arrebatados por uma incursão doom, então isso não será um choque.

Em entrevista concedida à Ultraje – que será revelada integralmente no futuro -, o lisboeta diz que mais importante do que chegar a uma editora é concretizar a sua música, mas admite que «também é verdade que ser prático é uma qualidade importante e chegar a uma editora permite um aconchego impagável do ponto de vista da promoção em vista à sustentabilidade do projecto. Nesse sentido, a Ultraje foi uma bênção. Ainda por cima, uma bênção habilidosa e com o coração no sítio certo».

Numa toada mais descontraída e de brincadeira pedimos ao mentor de Hoofmark que juntasse uma série de artistas díspares entre si de modo a criarem uma música que funcionaria na sua cabeça. Depois de consentir que é um processo divertido, Nuno Ramos puxa da imaginação: «Cena mesmo monstro de Frankenstein então: Bettina Paschen na voz, Tom G. a fazer vocal de apoio e numa das guitarras a lixar toda a gente com dissonâncias, Philty Animal Taylor na bateria, Gary Thain no baixo e Lightnin’ Hopkins a solar numa acústica velhota. Letras do Townes Van Zandt, que também podia tocar um bocadinho de violino (sem azeites sinfónicos, claro!). Eu batia palmas e mordia um palito. Antes, durante e depois.»

“Stoic Winds” encontra-se em pré-encomenda AQUI.

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[Reportagem] Alestorm + Skálmöld (12.12.2018, Lisboa)

Diogo Ferreira

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Alestorm (Foto: João “Speedy” Santos)

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Alestorm + Skálmöld
12.12.2018 – Lisboa Ao Vivo, Lisboa

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A atracar pela segunda vez na costa portuguesa, os islandeses Skálmöld fizeram bom uso de todo o traquejo que as constantes digressões lhes deram e souberam tornear com mestria os problemas sonoros que marcaram o início da actuação. Ainda assim, o som meio embrulhado não os impediu de montarem uma festa viking ao som do folk metal escandinavo que praticam, com boa aderência do público e um espectáculo mexido – para os parâmetros islandeses, note-se. Montados em “Sorgir”, o mais recente dos seus cinco trabalhos de originais, desfilaram um conjunto de temas interessantes, que fazem deles um dos mais sérios casos do viking metal actual.

Os Alestorm são um fenómeno de popularidade entre os frequentadores de salas de espectáculos e festivais e, se fosse necessária algum tipo de confirmação disto, os escoceses encarregaram-se de fazer uma demonstração cabal na noite lisboeta da digressão. Com um pato de borracha gigante em palco e o vocalista a usar o habitual outfit de kilt e keytar, a festa ficou montada a partir do momento em que os piratas pisaram o palco e foi sempre a enrijecer até à interpretação de “Fucked With An Anchor”, sensivelmente uma hora e meia depois. O pirate metal dos Alestorm é uma mistura perfeita de refrãos cantáveis, “Eis” e “Oh-oh-ohs” estrategicamente colocados e melodias orelhudas, com ocasionais espaços para bons solos de guitarra. Temas simples e milhões de visualizações no YouTube é uma combinação que não falha, e canções como “Mexico”, “The Sunk’n Norwegian”, “Hangover” (versão de um tema de Taio Cruz), “Shipwrecked” e “Drink” contam-se entre as favoritas do público português que cantou, bebeu cerveja, abriu um moshpit considerável e até brindou a banda com uma wall of death. Em palco, os Alestorm nunca falharam na arte de interpretar os seus temas da forma mais entusiasta possível, puxar pelo público e mantê-lo efectivamente entretido, seja com um solo de keytar de Bowes enquanto bebia uma Super Bock de penalti ou a usar o típico humor britânico quando apresentava as músicas. Lisboa não resistiu ao ataque pirata do quinteto escocês e capitulou, numa noite chuvosa em que a fila se mudou para a casa de banho dos homens e em que andar à chapada no meio do mosh com um fato de elefante era uma coisa perfeitamente normal.

Texto: Fernando Reis
Fotos: João “Speedy” Santos
Edição de fotos: Rute Gonçalves

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Coisas estúpidas que a Ultraje vai tentar difundir em 2019

Diogo Ferreira

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[Reportagem] Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence (09.12.2018 – Lisboa)

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Brujeria (Foto: Solange Bonifácio)

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Brujeria + Simbiose + Systemik Viølence
09.12.2018 – RCA Club, Lisboa

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A noite começou em literal “anarquia violência” musical – nome que se associa por diversas razões aos Systemik Viølence que nos fizeram viajar até ao underground d-beat japonês, onde manifestaram a sua prática musical e atitude punk de desobediência, agressividade e sujidade, onde o frontman Iggy Musashi conseguiu cativar o público de formas variadas. E como já é costume, misturou-se dentro da multidão, com uma performance absolutamente incansável, cativante e esmagadora.

De seguida, os Simbiose – com toda a eficiência a que já nos habituaram também – descarrilaram a sua energia característica. Com o vocalista Jonhie comunicativo e a cumprimentar o público como usual, ecoaram desdém e repulsão de manifesto com o seu punk / crust / grindcore, reforçando mais uma vez que são a grande instituição musical dentro do género a nível nacional.

Não é usual ter a oportunidade de ver ao vivo superbandas e, ainda para mais, uma tão peculiar como Brujeria o é. Poder assistir, no mesmo palco, a artistas gigantes e de culto, como Shane Embury dos Napalm Death ou o Nicholas Barker – um dos bateristas mais rápidos da história do metal, com uma técnica musical absolutamente explosiva – é um grande privilégio, e assim o foi.  Juan Brujo e El Sangron abriram as hostilidades de uma celebração ao death grind em que se revistaram temas clássicos. Os Brujeria são uma força musical absolutamente bruta, divertida, barulhenta e politicamente carregada – elementos que tornaram este concerto memorável. Finalizou-se a noite com parte do público – que foi incansável e envolvente desde o início do concerto – em palco e em ambiente de festa no tema “Marijuana”, que encerrou este grande concerto.

Texto e fotos: Solange Bonifácio

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