Leprous “Malina” [Nota: 9/10] | Ultraje – Metal & Rock Online
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Leprous “Malina” [Nota: 9/10]

MalinaEditora: InsideOut Music
Data de lançamento: 25 Agosto 2017
Género: metal/rock progressivo

Já há muito que os Leprous deixaram de ser referenciados como apenas a banda de palco de Ihsahn, sendo hoje em dia o seu nome um marco distintivo de uma bandas mais originais e amadas dentro da música progressiva.

“Malina” já é a quinta obra do grupo norueguês e, assim como tem sido até então, a banda tanto mantém a sua sonoridade intacta como a consegue moldar consoante as suas intenções, construindo ou desconstruindo a própria música. Afastando as intermitentes paragens nos riffs que muito caracterizaram o antecessor “The Congregation” – certamente uma notícia que vai agradar a uma boa parte dos seguidores da banda será o facto de já não parecer que está alguém a brincar com o botão play/pause enquanto o disco está a rodar – e mantendo bem próxima a arte de compor que os Leprous sempre apresentaram, temos temas em crescendo com refrãos e finais explosivos, como “Stuck”, e temas que são autênticas viagens introspectivas, como o próprio “Malina” e “Mirage”. Aqui, como antes, o encanto é trazido por leads de guitarra concisos e pegajosos levados pelo ritmo ditado pela electrónica do sintetizador de Einar Solberg, o qual também tem oferecido à banda as suas excelentes e muito abrangentes capacidades vocais.

Mas o que vale ao novo trabalho dos Leprous o seu mérito é a forma como o conseguem expressar tão intensamente e com tanto carácter, pois, para começar, a sonoridade dos Leprous apesar de progressiva não tem trezentas camadas de música sobrepostas nem riffs ultra complexos que saem do café da esquina, dão a volta à Via Láctea e voltam ao tal café, conseguindo ser riquíssima na sua electrizante simplicidade instrumental. Depois há que considerar o quão bem cada tema se entranha na mente e toma controlo do ouvinte – neste caso, menção honrosa para “Coma” e “From The Flame”. E por fim, é um facto que não há aqui um único tema parecido com outro, sendo que podemos deliciar-nos com 11 músicas bastante distintas, mas que em todas existe um notável impacto emotivo.

Este vai ser daqueles discos que há de surgir em muitas listas de “Melhores Discos do Ano”, no entanto o verdadeiro valor aqui está na própria banda que, álbum após album, consegue fazer algo diferente sem alterar a sua identidade sonora, lançando música cativante, poderosa e, especialmente, refrescante.

 

9/10
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