[Reportagem] NYOS + Krake (Aveiro, 03.05.2018) – Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] NYOS + Krake (Aveiro, 03.05.2018)

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NYOS + Krake
03.05.2018 – GrETUA, Aveiro

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Mais uma quinta-feira, mais uma noite de concertos no GrETUA. Enquanto noutras ocasiões a associação aveirense abriu portas para sonoridades mais amigáveis, como o footrock mediterrânico dos 47 de Fevereiro ou o rock n’ roll híbrido dos Killimanjaro, desta vez acolheu um público que teve direito a performances mais ousadas, como é o caso da abertura do serão com Pedro Oliveira – ou melhor: Krake. Munido de uma bateria e de uma vasta gama de ferramentas, o músico disponibilizou o seu talento imaginativo e experimental para, em cerca de 20-25 minutos, mandar o convencionalismo às favas. Com uma base jazzística, Krake usou mais do que as peles dos tambores, mais do que a meat dos címbalos e mais do que as baquetas de madeira. Através de arcos de instrumentos de cordas e com címbalos amplificados, o artista recriou trovões e tremores de terra; usou recipientes de metal para bater neles até caírem ao chão em desamparo; substituiu a madeira das baquetas por correntes e cabos metálicos, maracas e até sininhos; exalou vozes monásticas; e, por fim, com um segmento de loops, que se manifestaram tribais em contraste ao sentimento urbano de quase toda a actuação, levou a sua performance a um clímax sensorial ao caminhar entre o público enquanto assobiava uma espécie de pífaro. Experimental e aparentemente caótico, Krake não é indicado para portadores de comportamentos obsessivos e compulsivos, mas é enquadrado para fãs de Einstürzende Neubauten e Sándor Vály.

 

Da cidade finlandesa de Jyväskylä, a dupla que diz gostar de café, digressões, amplificadores, baterias e… mais café também evidenciou adorar cerveja. Com três álbuns na bagagem e acompanhados por largos címbalos na percussão, amps da Marshall e colunas da Peavey, os NYOS mostraram a Aveiro que o post-rock não está destinado às concepções ambient e dreamy da actualidade do género – ainda pode ser directo, agressivo e denso no peso sonoro. Apoiado por loops para poder demonstrar as várias guitarras que tem em mente, Tom Brooke usou e abusou bem disso para gravar leads hipnóticos a fazer lembrar os primeiros anos de Russian Circles (recordemos “Death Rides A Horse”), o que o capacitou a promover todo o poder da guitarra e das colunas com malhas ultra pesadas que mesclaram o seu caminho sónico entre o metal e o noise. Mesmo à sua frente – tocaram face-to-face – estava o baterista Tuomas Kainulainen, ou por outras palavras: um bicharoco de baterista. Imensamente intenso, o finlandês possui uma rapidez estonteante completada por um tecnicismo obrigatoriamente presente que se divide entre jazz, rock e metal. Com direito a encore, esta actuação de cerca de 40 minutos podia muito bem ter sido de 60 tamanha a entrega do duo e aceitação do público aveirense. Após Viana do Castelo, Porto e Aveiro, seguiu-se ainda Bragança para depois atravessarem a fronteira até Espanha e França. Boa viagem e voltem sempre!

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