#ChooseUltraje

Features

Quadro de Honra: Entrevista com JCS e RSA, da Loud!

Joel Costa

Publicado há

-

upload
Publicado pela equipa da revista Loud! em parceria com a Saída de Emergência, o «Quadro de Honra» é um livro que conta a história do movimento underground nacional, oferecendo mais de 30 entrevistas retrospectivas com bandas que revolucionaram a música no nosso país. Mais do que uma compilação dos textos originalmente publicados na Loud!, o «Quadro de Honra» é um pedaço de história, que com este novo formato apresenta-nos também algumas entrevistas exclusivas. A Ultraje falou com José Carlos Santos (JCS) e Ricardo S. Amorim (RSA).

“[O Quadro de Honra] tornou-se num dos espaços mais aguardados e mais apreciados por todos.”

O «Quadro de Honra» é uma excelente enciclopédia do underground nacional. Como foi este espaço inicialmente recebido na revista, tanto pelos leitores como pela própria equipa da Loud!?

JCS – Estamos sempre à procura de novos conteúdos para diversificar a oferta da revista, particularmente quando se focam na cena do rock/metal/música pesada em geral nacional, e em 2012 tivemos a ideia de focar alguns dos discos que consideramos mais importantes para a formação e desenvolvimento dessa mesma cena, mas de uma forma mais detalhada do que alguma vez tivesse sido feito. É daí que parte a ideia de ir ter com as bandas, e tê-las a elas próprias a contar a história de cada disco, e todo o desenvolvimento que o «Quadro de Honra» depois acabou por ter, que até extravasa a importância dos próprios discos em si. E como é natural, isso foi muito bem recebido por toda a gente. Por nós, pelo orgulho de sentirmos que estávamos a fazer algo que ia encher de alegria os fãs destes discos tão influentes, que lhes ia contar histórias até aqui na sua parte inéditas, e pelos leitores, pelo feedback que recebemos, tornou-se num dos espaços mais aguardados e mais apreciados por todos.

Sentem que há vontade do público mais jovem em ler sobre como era o nosso underground há umas décadas atrás?

JCS – Há vontade de toda a gente, sem querer particularizar muito as idades, e isso é que é bestial. Mesmo para quem viveu de forma intensa o underground dos anos 80 e 90, terá certamente aqui nestes artigos muitos motivos de interesse, tanto para recordar como para descobrir coisas que não foram públicas na altura. Mas sim, para responder à pergunta, os jovens que nos abordam são apaixonados, interessados e ávidos de conhecimento, e certamente que estas entrevistas serão um relato essencial a juntar àqueles que já recebem diariamente dos “veteranos” da cena.

“Mais do que a história daqueles discos em particular, estava a ser contada a história do movimento underground português.”

Publicar o «Quadro de Honra» em livro foi a vossa maneira de conservar todo este processo de redescoberta dos discos que melhor representaram a cena metal nacional ou houve mais razões para o fazer? Afinal de contas um livro ocupa bem menos espaço do que um monte de revistas…

RSA – A ideia de reunir estes artigos em livro surgiu muito cedo, e tenho ideia de ter abordado o assunto com o José Rodrigues logo na segunda ou terceira edição. Cedo percebemos que, mais do que a história daqueles discos em particular, estava a ser contada a história do movimento underground português, o mesmo movimento em que crescemos e, agora, estávamos a ter acesso a tudo o que sempre quisemos saber sobre discos que nos marcaram. Não vamos ser hipócritas e dizer que todos estes discos, ou retratos, são musicalmente impactantes, mas todos eles têm um papel importante no desenvolvimento de algo e essa história precisava de ser contada, e de ser contada pelos seus próprios protagonistas. Embora tenham saído quase todos os artigos na revista, que existe em papel, e é real, uma publicação desta natureza tem uma efemeridade que não se coadunava com a importância destes documentos. Um livro tem um poder de permanência, durabilidade, e até uma dignidade, que não se encontra numa revista, por isso não descansámos enquanto não concretizámos este projecto, no qual temos na Saída de Emergência o parceiro ideal.

O que é necessário para um disco ser considerado um clássico? E acham que nos últimos anos as bandas nacionais têm cumprido com as vossas expectativas na edição de grandes álbuns que sejam candidatos a futuros clássicos?

RSA – Embora essa fosse uma preocupação na fase inicial do planeamento do «Quadro de Honra», os méritos de um disco em concreto não foram o único critério considerado para as escolhas que tomámos. Alguns foram escolhas óbvias, claro: o «Wolfheart» [Moonspell] é um disco que estabelece um antes e um depois no underground nacional, o primeiro dos Censurados foi a banda-sonora de várias gerações do punk em Portugal e o «Mutantes S.21» [Mão Morta] é o melhor disco já feito em Portugal que, na minha muito parcial opinião, abriu da melhor forma esta rubrica. A questão é a história que estava por contar e os discos acabaram por tornar-se pretextos, ou linhas condutoras, para contar essa história. Por exemplo, o álbum dos X-Acto talvez não seja um disco clássico, sob certos aspectos, mas toda a carreira da banda e o impacto que teve no underground nacional era algo que tinha, obrigatoriamente, de ficar escrito e não se perder na memória apenas de quem viveu esses tempos. A quantidade e a diversidade de propostas que têm aparecido nos últimos anos deixa-nos antever um regresso da rubrica à LOUD!, assim que nos pareça que é o momento certo para tal.

“Este livro é também uma homenagem a uma figura ímpar como o João Ribas.”

upload

Mais do que uma compilação dos textos publicados originalmente na Loud!, o «Quadro de Honra« oferece-nos também algumas entrevistas originais. Ficou alguma por publicar? Uma entrevista que gostassem de ter efectuado e que não tenha sido possível por indisponibilidade da banda ou outro motivo qualquer?

RSA – Por publicar não mas ficaram, efectivamente, muitos artigos por fazer e, após a edição deste livro, acreditamos que venha a tornar-se mais fácil concretizar algumas ideias que temos. Alguns contactos foram mais difíceis que outros, não por qualquer tipo de animosidade entre antigos elementos de bandas, mas apenas por uma questão de agenda. Estamos a referir-nos a bandas que acabaram há muito, cujos elementos se afastaram porque a vida a isso os obrigou, espalhados mundo fora, e por isso nem sempre foi fácil. Mas não fomos muito fundamentalistas em relação a falar com todos os elementos da banda, falámos com quem conseguimos. Sei que uma das entrevistas mais difíceis de marcar foi a dos Censurados, e o Nelson Santos poderá contar a história, mas a conversa aconteceu mesmo e este livro é também uma homenagem a uma figura ímpar como o João Ribas.

JCS – Posso dizer, sem querer ser muito misterioso só porque sim, que só uma banda até agora é que não quis mesmo fazer entrevista para o «Quadro de Honra», e mesmo ainda não desistimos deles para uma futura ocasião. De resto, é como disso o Amorim – mais uma questão de afastamento de músicos que, em alguns casos, não se viam há anos, do que propriamente algum problema maior ou animosidade.

Houve algum contacto que se tenha revelado mais difícil pelo facto de haver membros que se calhar não se comunicavam há anos? E houve algum dissabor por parte de algum músico por terem decidido falar com X em vez de Y?

JCS – Normalmente, conforme fazemos também para o LOUD! DJ e outras rubricas temáticas, deixamos até ao critério da banda que membros é que querem a representar a sua obra nas entrevistas, por isso nunca houve nenhum problema desse tipo, que nós saibamos.

Alguma banda decidiu pensar em voltar ao activo face ao interesse demonstrado pela Loud!?

JCS – Não temos a presunção de ser nós a encorajar isso nas bandas – as que têm vontade de voltar ao activo, assim o farão por vontade própria. Algumas deixam isso mesmo em aberto – recordo aqui os If Lucy Fell, por exemplo, que pelo meio de muita brincadeira, lá admitiram que a sua história se calhar ainda não é um capítulo totalmente fechado, mesmo com a actividade intensa que todos os seus membros têm hoje noutras bandas. Esperemos que assim seja, tal como todas as outras que pensam nisso. O que já aconteceu foi haver algumas reedições dos discos de que falámos, eventualmente encorajadas por algum burburinho gerado no artigo.

Falaram de «Hellstone», o álbum de estreia dos Men Eater, que disseram recentemente adeus aos palcos. Qual a melhor forma de preservar trabalhos como este e não deixar que uma banda que anuncia o seu fim caia no esquecimento?

JCS – Acho que os trabalhos em si são a sua própria cura para o esquecimento. Duvido que alguém se vá esquecer do «Hellstone» ou dos Men Eater alguma vez, e a qualidade desse disco e da banda é a garantia disso mesmo. Os discos existem, podem comprar-se, são reeditados, o nome das bandas é evocado em outras conversas e em outros discos, por isso… Se por acaso o «Quadro de Honra» contribuir para uma “permanência” mais presente do que de melhor se fez em Portugal nos últimos anos, e gostamos de pensar que sim, então melhor, muito nos agrada.

“É inevitável que em alguma altura o «Quadro de Honra» volte, seja na revista, seja futuramente em mais um volume do livro.”

Na vossa opinião, quais bandas se teriam saído melhor se aparecessem agora, numa altura em que é mais fácil gravar e editar um disco e a internet tem um poder inigualável?

RSA – Outros poderão ter diferentes opiniões, certamente, mas estou convencido que «Abstract Divinity», dos Thormenthor, esteve muito à frente do seu tempo. Com um som mais de acordo com os padrões de qualidade actuais e, quiçá, com o apoio promocional de uma editora de maiores recursos, poderia ser um disco que se destacaria mesmo hoje em dia, pois envelheceu muito bem.

JCS – Tirando os discos dos Moonspell, que de facto dificilmente poderiam ter corrido melhor, e aqueles mais recentes (os deste século, vá), acho que todos, sinceramente. Com uma gravação mais robusta e com promoção – nem digo de uma editora, mas promoção, a sério, na internet, mesmo com um disco auto-editado – há ali tanta coisa que teria potencial para ser apreciada por muito, muito mais gente… Um dos casos mais gritantes é de facto o dos Thormenthor, concordo com o Amorim. E aos Decayed, bastava não ter havido aquele problema de conversão de moeda… houvesse email, e os Decayed tinham assinado pela Osmose na mesma altura em que lá estavam os Immortal, por exemplo.

O «Quadro de Honra» é um espaço para continuar a ser explorado nas edições da vossa revista?

JCS – Sim, eventualmente. Fizemos uma pausa para deixar respirar a rubrica, para passar algum tempo sobre discos mais recentes para ganharem algum estatuto “histórico”, e claro, para dar o devido destaque e atenção ao livro. Mas a lista de referência que tínhamos elaborada ainda tem lá muitos nomes, e com o passar do tempo vai ganhando muitos mais, por isso é inevitável que em alguma altura o «Quadro de Honra» volte, seja na revista, seja futuramente em mais um volume do livro. Estamos em “hiato” agora, como dizem as bandas, e lançámos uma compilação, para manter a comparação, mas com a diferença que nós damos a promessa de retomar a actividade.

«Quadro de Honra» pode ser comprado nas principais livrarias de todo o país
ou aqui: http://www.saidadeemergencia.com/produto/quadro-de-honra/

Fotografia: Joel Costa

Features

Nuno Bettencourt, Tom Morello e Scott Ian tocam tema de Game Of Thrones

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Consagrada como uma das séries mais populares de sempre, Game Of Thrones, que terminou na última madrugada, teve a capacidade de exultar nos seus fiéis seguidores todas as emoções desde o seu início com o genérico criado por Ramin Djawadi.

No clip abaixo, Djawadi é acompanhado por Dan Weiss (criador da série), Tom Morello (Rage Against The Machine), Scott Ian (Anthrax), Nuno Bettencourt (Extreme) e Brad Paisley numa jam session com as novas guitarras Fender em que tocam precisamente o tema principal de Game Of Thrones com muito free-style solista pelo meio.

Continuar a ler

Features

Sabaton History Channel, ep. 15: o Barão Vermelho

Diogo Ferreira

Publicado há

-

No novo episódio do Sabaton History Channel, Joakim Brodén e Indy Neidell escolhem falar do tema “The Red Baron” que pertence ao próximo álbum “The Great War”, a ser lançado a 19 de Julho pela Nuclear Blast.

O Barão Vermelho é um do ícones heróicos da I Guerra Mundial que, simultaneamente, engloba a mecanização e a romantização da guerra moderna com as suas habilidades e heroísmo. Manfred von Richthofen é o nome verdadeiro do piloto que é, então, recordado em mais um episódio do Sabaton History Channel.

Mais episódios AQUI.

Continuar a ler

Features

Jinjer ao vivo no Resurrection 2018 (c/ vídeo)

Diogo Ferreira

Publicado há

-

Foto: Veronika Gusieva

Abaixo podes assistir à prestação dos Jinjer no Resurrection de 2018. Recentemente disponibilizado pelo próprio festival, este vídeo servirá para aguçar a vontade que os fãs desta banda têm para os ver no Vagos Metal Fest deste ano. Nos quase 40 minutos de concerto, os Jinjer executaram temas como “Words Of Wisdom”, “I Speak Astronomy”, “Pisces” ou “Captain Clock”.

O EP “Micro”, lançado em Janeiro de 2019 pela Napalm Records, é o registo mais recente dos ucranianos que, como referido, actuarão no Vagos Metal Fest, evento que se realiza entre 8 e 11 de Agosto. Stratovarius, Six Feet Under, Satyricon, Candlemass, Death Angel, Watain e Alestorm são alguns dos nomes do cartaz.

Continuar a ler

Facebook

#UltrajeRadar

Ultraje #21