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Quinteto Explosivo: “Somos uma banda com nervos de aço.”

Joel Costa

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“Hinos Politicamente Incorrectos”, o álbum de estreia dos Quinteto Explosivo, já não é um acontecimento recente, uma vez que o seu lançamento já data de Setembro de 2014. No entanto, o quinteto que reúne membros de bandas como os míticos Comme Restus, Kalashnikov ou até dos saudosos Homens Da Luta, continua a dar que falar através das suas performances… explosivas, vá!

Falamos com o vocalista António Guterres que deixou no ar a ideia de um novo álbum para breve. (Será que podemos levar a sério?)

Tanta coisa fixe para fazer e estamos aos gritos, vestidos de vermelho aos saltos num palco. Há um bocado de falta de noção em geral.

Quando se juntaram para pensar num nome para este projecto, quais foram as alternativas a “Quinteto Explosivo”?
Olá. As alternativas eram “Cona-se”, “Cuca Boceta”, “Luís Vaz de Colhões”, “Caralhosauro”, “SIDA”, “Vómito”, “D.A.M.A”, “Assembleia da República”, “Esterco”, “Rolling Stones”, e assim sucessivamente.

Consegues dizer a tracklist do “Hinos Politicamente Incorrectos” sem te rires?
Consigo até a chorar, com o disco novo que aí virá em breve, estas malhas são Vangelis. O pior é que esse disco só deve sair daqui a 10 anos ou daqui a nada.

(Vídeo do tema “Queres Caralho, Vai Ao Talho”)

Fala-me do processo de gravação do vosso álbum de estreia. Ficou muito diferente daquilo que tinham pensado ou entraram em estúdio a saber exactamente o que queriam?
Sabemos sempre tudo. Nós não pensamos, de facto, nós nem temos cérebro. As cantigas ficaram ainda pior do que aquilo que nós poderíamos imaginar. Mas foi fixe fazer um disco num tablet.

Deixaram muito material para trás? Se sim, há planos para o usar em algum futuro lançamento?
Material orgânico sim. Cantigas? Sim, todos os dias fazemos umas 20 nas nossas cabeças, e ficam lá a achocalhar como as mamas de uma gaja agora no verão a jogar Volei na praia (grande imagem). O futuro a Deus pertence, o nosso não sabemos.

Recentemente foi divulgado o vídeo para o tema “Portugal, Portugal, és atrasado mental”. Podemos dizer que esta música é reaccionária?
Não foi para este tipo de coisas que o 25 de Abril se fez. Este fez-se para podermos andar todos nus na rua ou comer caracóis. Esta música é um bocado Ena Pá 2000, esses gajos ainda são piores que nós. Mas gosto dela, espelha aquilo que a banda tem passado com este primeiro disco, é auto-biográfica sem sabermos muito bem o que isso significa. Já fiz uma marcha nova chama-se: “VÃO P´RÁ CONA DA VOSSA TIA”. Vamos ao “Ídolos” com ela e tudo, e ao Goucha.

E afinal quem é que é mesmo “atrasado mental”?
Havia uma a “Debil Metal”, mas o “Big Show Sic” acabou com essa porcaria toda. Somos nós, claro. Tanta coisa fixe para fazer e estamos aos gritos, vestidos de vermelho aos saltos num palco. Há um bocado de falta de noção em geral. De resto tudo normal. Portugal é fixe.

(“Brasileira a dar show”)

Quem acompanha a vossa actividade nas redes sociais facilmente percebe que os Quinteto Explosivo não só são muito activos na promoção do álbum, como são um autêntico íman de mulheres. Já é a segunda vez – pelo menos de que tenha conhecimento – que uma mulher sobe ao palco para dar um toque pessoal às vossas actuações. O que se passa?
O que se passa é isso mesmo, está cada vez mais difícil de andarmos na rua sem sermos violados por mulheres. Depois as feministas ficam lixadas, mas sobem ao palco e praticamente que nos saltam para a espinha. E o que se vê é isto. Agora imagina o resto do que acontece: nada. Felizmente hoje em dia toda a gente anda com um Android e essas coisas vão parar à Internet. Eu curtia ter um para me arrumar a casa e limpar a caixa de areia dos gatos. Onde é que andava a Internet quando o Vieira mijou para o bombo do Desirat, ou quando o Dr. Fonseca Galhão desmontou um hotel todo numa noite? Felizmente existe o João Leitão (“Um Mundo Catita” e “Capitão Falcão”), para filmar o que se passou em Barroselas, aquela cena de andar a defecar e a urinar em palco e a atirar tudo para cima das pessoas que pagaram bilhete. Como se isso fosse tudo normal.

(“Sessão Sado-Maso no Santa Maria SummerFest)

Tens mais histórias destas? Algum episódio que te tenha deixado mais nervoso ou em que tenhas recorrido a outro tipo de contacto físico diferente daquele que tiveste com a mulher inglesa (vídeo acima)?
Nunca fico nervoso. Somos uma banda com nervos de aço. Especialmente devido à quantidade de drogas que temos nos nossos organismos. Agora temos metido muito cimento em pó, até ficamos com os braços tesos para tocar com mais força. O único contacto físico que tenho é entre o meu cérebro e o meu corpo. O meu cérebro diz-me: “baza daqui man, vai para casa”, e o meu corpo insiste em fazer estas coisas. Há uma quantidade infindável de histórias por revelar em VHS. Há até uma proposta para um filme, espero que seja um filme sério.

Já têm um bom número de datas marcadas até ao final do ano. O que é que faz um concerto vosso ser algo imperdível?
A quantidade de gajas.

Como é que é no backstage, antes de subirem ao palco? Apresentam-se às outras bandas como membros dos Quinteto Explosivo? Pedem-lhes dinheiro emprestado?
O que é isso, o backstage? Antes de irmos para os bailes estamos todos quitados a comer, a beber ou a dormir num canto qualquer. Eu especialmente gosto de estar bem longe do sítio onde vou tocar. Gosto que seja surpresa e não gosto de me ambientar à energia do local. Aprendi isto com o Valdijou. Quanto ao dinheiro, costuma ser ao contrário, costumam é pedir-nos dinheiro emprestado, e nós como somos corações moles acedemos. Mas depois cravamos material, por causa das hérnias e o material do pessoal costuma ser melhor que o nosso também.

Onde é que compraram os fatos? Calculo que fizeram do vendedor uma pessoa muito feliz!
Aquilo não são fatos, é a nossa pele. Quando nos peidamos ficamos assim.

Os vossos pais aprovam o que fazem ou as máscaras servem precisamente para evitar uma sessão de colher de pau em idade adulta?
Nós fomos criados numa floresta por lobos. Eles lá não têm internet.

Eu é que sou uma grande referência musical para o Manuel João Vieira. Ainda no outro dia ele confessou-me isso.

Estiveste presente na exposição do Manuel João Vieira, em que ilustrou a poesia erótica de Bocage. Gostaste?
Digamos, que privilégio maior pode haver? Estou no início dos meus 30 (caralho). Em 1992 o meu pai meteu-nos (a mim e ao meu irmão) a ouvir o “És Muita Linda”, depois de ouvirmos coisas más como Beatles, Queen, Beach Boys, tudo coisas terríveis. Ainda bem que agora há Kizomba, Djs e o Rato Mickey. Estar na casa onde nasceu um dos maiores anarquistas de sempre, o Bocage, com o Vieira que é um dos maiores anarquistas de sempre (mas vivo), ainda por cima eu ter nascido em Setúbal, melhor só comer um choco frito ao mesmo tempo. Da próxima vez quero ir à casa do Toy para ele me ensinar a conduzir a 160 com o joelho. Um gajo fixe o Toy.

O nome do vosso álbum é uma referência a uma música de um dos projectos musicais do Manuel João Vieira, neste caso, os Ena Pá 2000. O Manuel João foi uma grande referência musical para ti? De que outras formas é que te influenciou?
Os gajos tiveram a honra de tocar connosco na passagem de ano no Santiago Alquimista, eles devem estar gratos aos Deuses. Eu é que sou uma grande referência musical para o Vieira. Ainda no outro dia ele confessou-me isso.

Para finalizar, tens alguma informação adicional que queiras partilhar com os nossos leitores?
Não.

“Hinos Politicamente Incorrectos” está disponível para streaming na íntegra aqui. A versão digital do álbum pode também ser adquirida por 7€ no mesmo link.

Entretanto, os Quinteto Explosivo continuam a sua tour “Morte Aos Quinteto Explosivo”.
As datas podem ser consultadas abaixo.

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Dream Theater: chamada de cortina (entrevista c/ Jordan Rudess)

João Correia

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«Apostámos em fazer um trabalho mais pesado, mas também sem perder a essência progressiva e o espírito metal dos Dream Theater.»

“The Astonishing” foi um registou que confirmou o vívido cansaço em que uma banda de topo pode assentar passados alguns anos a repetir a mesma fórmula. Não podemos culpar uma banda por lançar um mau disco, ainda por cima quando, ao longo de três décadas, essa banda lançou marco incontornável após marco incontornável do heavy metal. Todos temos maus dias, mas, quando temos um conjunto seguido de dias em cheio, então estes serão recordados durante muito tempo. É o que se pode dizer dos Dream Theater e de “The Astonishing”, um trabalho insípido que desapontou muita gente do meio devido ao historial prodigioso destes nova-iorquinos. A pseudocrise parece ter chegado ao fim com “Distance Over Time”. O novo trabalho dos Dream Theater viaja para o passado, para uma época em que pouco mais havia do que uma mão-cheia de bandas virtuosas o suficiente para conquistarem território virgem – os anos 90. As primeiras audições de “Distance Over Time”, as mais superficiais, remetem para as épocas de “Images and Words” e “Awake”. Sim, parece exagerado (e acaba por sê-lo), mas tal é a diferença do trabalho anterior para este.

 

Jordan Rudess, o lendário teclista dos Dream Theater, dedicou quinze minutos da sua restrita agenda à Ultraje para discutir mais pormenorizadamente o novo trabalho. A reacção inicial do homem por trás dos momentos épicos dos Dream Theater foi de concordância. «Bom, quisemos regressar ao nosso som de raiz, quisemos gravar um vídeo todos juntos e passar mais tempo juntos, sempre com muita diversão à mistura. Apostámos em fazer um trabalho mais pesado, mas também sem perder a essência progressiva e o espírito metal dos Dream Theater. Essa união reforçada fez com que nos inspirássemos em compor este novo trabalho.» ‘União reforçada’ é o termo perfeito para descrever o que os Dream Theater fizeram – durante três meses isolaram-se numa propriedade transformada em estúdio de última geração em Nova Iorque para compor o novo registo. «É verdade. Ao princípio estávamos um pouco nervosos com essa situação; quero dizer, somos todos homens adultos e, de repente, parecia que tínhamos acabado de ir para uma colónia de férias. No entanto, quando lá chegámos, gostámos muito do sítio – aquilo é muito porreiro. Imagina um celeiro antigo dividido em duas partes – uma para ensaiares, outra para gravares. E tem quartos enormes! Depois, as nossas instalações em geral foram fantásticas. Então, isso fez com que recuperássemos juntos as nossas energias, sempre a criar música. Entre o trabalho, fazíamos churrascadas, bebíamos bourbon, ríamos imenso… E isso sente-se no disco novo. Acabou por ser um retiro espiritual. Não é que eu não goste do “The Astonishing” – tenho imenso orgulho nesse trabalho, mas o novo álbum está mais à frente. Acho que é importante para nós, enquanto banda, podermos reunir-nos e passar um bom bocado enquanto trabalhamos. Em suma, o processo de composição de “Distance Over Time” foi uma mistura de muito trabalho e muita diversão.»

É fácil de entender o que Rudess quer dizer quando afirma que o novo trabalho está um passo à frente do anterior, principalmente quando atentamos ao trabalho dos dois instrumentos mais notáveis nele: a guitarra e os teclados. De facto, os despiques e batalhas de solos entre Rudess e Petrucci fazem-nos recordar pináculos do rock como “Highway Star”, com todo aquele massacre que bem conhecemos entre Richie Blackmore e John Lord. Depois, “Distance Over Time” aponta para caminhos pouco percorridos quando nos dá a ouvir uma miscelânea de estilos completamente desassociados do metal, como funk, rock progressivo, cock rock, blues… Parte-se do princípio que nada disto terá sido premeditado… Ou terá? «Absolutamente, sim. Queríamos voltar a domar aquela energia clássica dos Dream Theater e trabalhámos muito nesse sentido. Para isso, utilizei um Hammond XK-5, o que fez com que o disco ganhasse um feeling de rock clássico em conjunto com a guitarra do John. Experimentei utilizar um dispositivo chamado Motion Sound para amplificar os teclados e o resultado está à vista – um som bastante forte e claramente rock. Logo, não existem normas e conceitos nos Dream Theater, fazemos aquilo que gostamos.»

 

No entanto, até certo ponto, “Distance Over Time” parece ter um elemento conceitual bem definido e que começa com uma capa futurista. Junte-se a ela o tema “Pale Blue Dot” (talvez a citação de Carl Sagan mais repetida de todos os tempos) e assuntos mundanos – como abuso, frustração e limitações – e a conclusão antecipada a que chegamos é que se trata de um disco que fala sobre a Humanidade. «Não é um disco conceitual, de todo. Mas sim, existe uma história em cada tema; logo, talvez se possa dar a entender que existe um conceito. Como, por exemplo, em “Pale Blue Dot”, sim, com todo aquele discurso icónico do Carl Sagan. Mas existe sempre algo mais pesado do que apenas um conceito, existem tópicos mais profundos como o barulho que fazem as novas gerações, pessoas que vivem a vida através de um computador, a vastidão do espaço, o nosso mundo no futuro devido a toda a poluição… OK, não são canções de amor, nitidamente! [risos] As próprias letras são inorgânicas, matemáticas, físicas; o que ajudou a regressar aos nossos velhos tempos.»

Essa ausência de orgânica também se sente na música, que é, de longe, da mais pesada alguma vez composta pelo quinteto norte-americano. O filão progressivo continua lá, mas não tanto como em trabalhos anteriores, o que indica que talvez os Dream Theater quisessem fazer algo mais in-your-face, um trabalho mais directo mas sem perder o virtuosismo pelo qual são bem conhecidos. «Procurámos obter um som muito mais pesado, daí ter dito que houve necessidade de regressar às nossas raízes. Isso criou uma dinâmica emocional muito maior do que anteriormente. Temos noção de que muitos fãs dos Dream Theater adoram os nossos registos mais pesados e, desta vez, encontrámo-nos em sintonia com eles. Toda a banda sentiu que havia essa necessidade de carregar mais no acelerador. Contudo, também é verdade que não descurámos o nosso lado progressivo, mas quisemos fazer um disco mais pesado e que apelasse aos nossos fãs da mesma maneira que nos apela a nós.»

 

Para o fim ficou a discussão sobre a digressão Distance Over Time coincidir com o vigésimo aniversário do clássico “Metropolis Pt.2: Scenes From a Memory”. Geralmente, há sempre preparativos especiais quando se trata de comemorar um trabalho tão importante e, tendo em conta que as duas ocasiões se fundem numa, quisemos saber o que estava em marcha para a celebração do disco. «O que é realmente especial em relação a esse disco é que fizemos uma celebração dele na sua totalidade na segunda parte do nosso set há algum tempo. Claro que tocaremos faixas dele, ainda que não na sua totalidade – será uma revisitação mais curta. Além disso, teremos elementos visuais lindíssimos nesta nova tournée. Só mesmo vendo para acreditar – são espectaculares, com integrações de media e áudio em simultâneo. Trata-se do primeiro disco em que participei, por isso é óbvio que tem um significado muito especial para mim. Antes de ser um momento assinalável para os Dream Theater, é um momento assinalável para mim! Vai ser muito emocionante, certamente. Adicionalmente, também vou lançar um disco novo este ano chamado “Wired For Madness”, previsto para 19 de Abril.»

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[Exclusivo] Atrocity revisitam covers pop dos álbuns “Werk” (entrevista c/ Alex Krull e Thorsten Bauer)

Diogo Ferreira

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Os Atrocity são conhecidos por cruzarem estilos como ninguém – do death ao gothic metal, passando pelo industrial. Em 1997 lançavam “Werk 80” e em 2008 era a vez de “Werk 80 II”, dois discos compostos por covers metal de êxitos pop da década de 1980. Claro que o metal moldou estes homens, senão não estariam em bandas do género, mas, e tendo esses dois trabalhos na discografia, temos de saber até que ponto é que a pop também os formou como homens e artistas. «Crescemos com a magia dos 80s – com músicas de Depeche Mode, OMD, Tears For Fears, que eram pop mas que continham uma onda negra», conta Thorsten Bauer, recordando seguidamente a origem de “Werk 80”: «Quando fomos a um festival na Suécia, em 1996, tocar com os Das Ich, ouvíamos muitas dessas canções e tivemos a ideia de que isto podia funcionar muito bem de uma maneira metal. Tenho saudades disso – pelo menos aqui na Alemanha, a pop soa toda igual, está cheia de autotune, não há carácter. O início dos 80s estava cheio de cruzamentos – wave, new wave, punk, pop, synthpop. Foi muito excitante para a música pop. Vivemos nos 80s, por isso temos boas memórias e ao mesmo tempo a música tinha substância, o que a pop moderna não tem.» Antes de tomar palavra, Alex Krull já se estava a rir: «Agora tenho de falar por mim. [risos] Não ouvia nada disso! [risos]Sentia sempre falta das guitarras, mas lembro-me que havia grandes canções, como a “Shout” dos Tears For Fears.» Contudo, o vocalista teve de fazer a sua parte para dar vida aos empreendimentos de 1997 e 2008 ao explicar que «a ideia era temperar tudo e tornar essas músicas em metal».

Estávamos num momento mais saudosista da conversa e Alex prosseguia: «As pessoas dizem que os 80s foram os melhores tempos da pop, mas eu ouvia metal! [risos] Tinha uma amiga do universo punk e new wave. Ela tinha amigos da cena gótica e eu era da malta do metal. Fazíamos festas em casas, e numa sala estava o pessoal do metal e na outra estavam os góticos, que ouviam synthpop e Depeche Mode – nem nos falávamos! [risos] Mais tarde chegou o momento de fazer um crossover enquanto músico, quando tive uma banda. Encontrei essa amiga muitos anos mais tarde, quando ela estava a trabalhar num musical em Estugarda, e perguntei-lhe se ela se lembrava das festas e se tinha ouvido o crossover que tínhamos feito com o “Werk I” e “Werk II”… Ela ficou ‘what the fuck?’. [risos] Não acreditava.» Já na fase derradeira desta entrevista reafirmou-se que as músicas escolhidas para esses dois discos eram já por si negras, ficando ainda mais com o toque metal dos Atrocity. Porém, perguntámos se se imaginavam a fazer covers da pop actual, com temas de Katy Perry ou Lady Gaga, o que provocou risada geral! «Tipo… Não… [risos]», assegura Krull. «Como o Thorsten disse, há uma parte nostálgica e era algo revolucionário na música. Havia a Neu Deutsche Welle, que também abordámos nos álbuns “Werk” – era muito fixe para aquela altura. Mesmo enquanto miúdo do metal, gostava dessas canções em alemão – era uma estranha combinação musical que teve muito sucesso. Tem que haver algum tipo de ligação para se fazer um projecto assim. Não vamos pegar em qualquer música pop e torná-la metal só porque foi um êxito – não era essa a ideia.» [A entrevista integral foi originalmente publicada no #17 da Ultraje (Ago/Set 2018)]

O álbum mais recente dos Atrocity intitula-se “Okkult II” e foi lançado em Julho de 2018 pela Massacre Records. A banda passará pelo Lisboa Ao Vivo a 12 de Maio numa noite partilhada com I Am Morbid, Vital Remains e Saddist.

 

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Marduk: a morte é cega (entrevista c/ Morgan)

Diogo Ferreira

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Foi em Junho de 2018, pela Century Media Records, que saiu “Viktoria”, o mais recente álbum dos bélicos Marduk e que será formalmente apresentado em Portugal em dois concertos já marcados para 2019. O primeiro acontece a 3 de Maio no RCA Club de Lisboa e o segundo a 4 de Maio no Hard Club do Porto.

Recordando uma entrevista que o mentor Morgan concedeu à Ultraje pela altura do lançamento de “Viktoria”, o sueco considerava que «todos os álbuns [de Marduk] são uma lição de como metal extremo deve ser feito». «Fazemos aquilo em que acreditamos e o que as pessoas pensam é com elas – é assim que vejo as coisas.» Tal como o recente trabalho, Morgan é um tipo espontâneo e veloz a responder às questões que lhe são impostas, e tudo isso espelha-se na forma directa como “Viktoria” é apresentado através de faixas muitíssimo orientadas à guitarra, sendo que cada riff e cada palavra cuspida por Mortuus são como um murro na cara. Ter uma atitude in-your-face é aquilo que, segundo o nosso entrevistado, a banda almeja sempre que grava um álbum. «Ainda é mais directo do que o anterior [“Frontschwein”]», admite Morgan. «Temos uma guitarra e isto é basicamente compor de uma maneira in-your-face – curto, agressivo e pesado em músicas de três minutos. É directo. É como um álbum extremo deve ser.»

“Frontschwein” data de 2015 e ainda está muito fresco por ser um álbum tão bom em vários anos de carreira, por ser imensamente atmosférico e por ter uma temática tão eficaz como a confrontação perante os horrores da guerra. Se fizermos uma ligação ao título, muitos podem achar que os Marduk viraram-se agora para o lado vitorioso da guerra com “Viktoria”. Nada mais errado. «Toda a gente tenta ver a vitória à sua maneira e acho que, no fim, só há uma personagem que sai vitoriosa: a morte. Queríamos um título frio, que funciona muito bem com o simbolismo da capa: simplista, gelado, duro. Queríamos um título simples e directo que fosse o reflexo da temática do álbum.» A capa de “Viktoria” pode parecer imediatamente descomplicada, mas podemos fazer tantas analogias: da cegueira da justiça ao tiro certeiro da morte, a lista de exemplos pode ser longa. Morgan mostra-se, mais uma vez, instantâneo: «Queríamos algo frio e com um estilo de propaganda. Ficámos presos à imagem e acho que funciona muito bem com o simbolismo do álbum. Acho que as pessoas se vão lembrar [de Marduk] quando virem a capa. Às vezes põe-se muita coisa no artwork, mas desta vez fizemos algo mais relaxado e velha-guarda.»

Se antes falou o artista, agora fala o crítico, o old-schooler, o mentor de uma das bandas mais importantes do black metal – mas uma coisa é certa: papas na língua é coisa que nunca demonstra ter. «Nunca quisemos saber de cenas e do que as outras bandas fazem. Não nos sentamos a discutir o que é popular – sabemos o que queremos fazer, deixamos a energia fluir. As pessoas têm medo de dizer o que pensam porque querem manter-se em grupos específicos. Para nós é sobre ter a liberdade total de se fazer o que se quer – que é o que sempre fizemos. Os limites das outras pessoas não são os meus limites, e não quero saber o que os outros fazem. Fazemos as coisas à nossa maneira.»

Quão longe irá Morgan para defender a sua arte? Não muito longe. Ou melhor, a lado nenhum. «Nunca a defendi, não tenho que a defender. Tenho orgulho no que faço, e se as pessoas têm um problema com isso, por mim tudo bem, estou-me nas tintas para quem tenta boicotar ou censurar. Prefiro passar por cima disso e continuar a fazer aquilo em que acredito. Nunca deixaria alguém dizer o que podemos e não podemos fazer. Se as pessoas têm um problema, está tudo bem – farei sempre aquilo que quero. É assim mesmo: ser verdadeiro e leal comigo mesmo.»

(Entrevista integral e original aqui.)

Os primeiros 50 bilhetes têm um preço especial de 18€. Depois de esgotados passarão a custar 20€ em venda antecipada e 23€ na semana do evento. Mais informações estão disponibilizadas nas páginas da Larvae e da Notredame.

 

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