[Reportagem] XXI SWR Barroselas Metal Fest: Primeira Comunhão (dia 1) – Ultraje – Metal & Rock Online
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[Reportagem] XXI SWR Barroselas Metal Fest: Primeira Comunhão (dia 1)

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Depois da edição anterior, que comemorou os 20 anos do SWR com um cartaz difícil de superar, os irmãos Veiga voltaram a apostar na diversidade da música extrema aproveitando o regresso de algumas das grandes instituições do passado e os festejos de álbuns clássicos – foi o caso das actuações de Mortuary Drape, Master’s Hammer, Exhorder e Mortiis. Às 17 horas, os funeral doomsters Oak começaram a liturgia no palco SWR Arena. Deixaram assim uma impressão forte na assistência, muito fruto da intensidade do seu som. Foi um início de festival perfeito e que ilustrou com tinta fina o conceito deste festival. Seguiram-se-lhes os germânicos Placenta Powerfist, lendários no circuito underground do brutal death metal.

rsz_02departeDéparte (Foto: Pedro Félix)

Porque os Sourvein não puderam comparecer à eucaristia, existiram algumas alterações no missal do primeiro dia, o que fez com que, agora no palco principal, os sul-africanos Vulvodynia descarregassem prematuramente o seu brutal death/core metal na congregação que se juntou no recinto para os ver. Viu-se que cumpriram o objectivo a julgar pelos stagedivers e pelo slam que se instalou junto ao palco. Os australianos Départe deram seguimento à liturgia com excertos escolhidos de “Failure, Susbide”, um disco de post-back/death metal de 2016 que não deixou os fãs do género indiferentes. E foi então que, directamente de Itália, subiram ao altar os arcebispos Mortuary Drape para entoar versículos de capítulos como “Into The Drape” ou “All The Witches Dance”, escrituras de culto da segunda vaga do black metal. Beneficiaram de um som perfeito e de um jogo de luzes atipicamente colorido e claro para o género que praticam. O veredicto foi unânime entre velhos e novos fãs: uma experiência que necessita de ser vista ao vivo.

rsz_04mortuary_drapeMortuary Drape (Foto: Pedro Félix)

Simultaneamente, mas no palco SWR Arena, os multinacionais Wormhole praticavam o seu death metal com contornos de ficção científica. Os dinamarqueses Hexis continuaram o culto do black metal e, de seguida, apresentaram-se os cardiais patriarcas checoslovacos Master’s Hammer no confessionário principal. É certo que revisitaram o seu álbum supremo, “The Jilemnice Occultist”, mas também cumpriram ao tocarem temas de “Ritual” e do muito recente “Fascinator” (2018), que andam a promover um pouco por todo o globo. Ouviram-se coros dos fiéis mais fervorosos em momentos-chave como “Géniové”. Também contaram com um som excelente, o que lhes assegurou o louvor da enorme massa que acorreu à sua presença. Depois, os holandeses Teehtgrinder pregaram um sermão aos peixes com uma actuação a roçar a perfeição – em “Sicarius”, então, instalou-se o caos previsível num recinto cheio para os ver. É o que dá misturar grindcore, black metal, death metal, crust, punk e hardcore na mesma pia baptismal.

rsz_05masters_hammerMaster’s Hammer (Foto: Pedro Félix)

Mas foi com os monsenhores Exhorder que a festa tomou uma proporção de maior significado. Juntamente com os Sadus, os Exhorder foram uma das poucas bandas que mantiveram o thrash no estado de onde ele nunca deveria ter saído – furioso, pouco ou nada melódico e fiel aos fãs mais agressivos. E a agressividade foi tal que no final do primeiro tema a banda teve de fazer uma pausa de cerca de 10 minutos devido ao baterista ter danificado a tarola e um prato. Pela primeira vez em Portugal, percorreram o clássico “Slaughter In The Vatican”, bem como temas de “The Law”, dois esforços criativos lendários no panorama do thrash/groove metal, tendo-lhes “Death In Vain” e “Exhorder” rendido slam e circle pits. O que começou de forma menos feliz terminou da melhor maneira possível com uma audiência visivelmente satisfeita.

rsz_07exhorderExhorder (Foto: Pedro Félix)

Parceiros de editora de bandas como DHG, Enslaved e Nifelheim, os noruegueses Obliteration ajudaram à celebração com os seus hossanas de death metal cavernoso, abrindo caminho para o próprio Papa, o também norueguês Mortiis. Na estrada a exaltar “Ånden Som Gjorde Opprør”, clássico de dark wave ambiental de 1995, o multi-instrumentalista sofreu um pecado capital: a ignorância dos crentes. Com uma audiência de cerca de 120 almas, mas indiferente à escassez de fé, o sumo pontífice interpretou o livro de hinos na íntegra e de seguida, como se quer. Zero interação verbal com o público, como já é habitual na rendição do disco, levantando pontualmente os braços em sinal de aprovação dos “aleluias” que se iam escutando da parte dos adeptos. Tudo terminou como começou: de forma rápida e com pouca pompa e circunstância para a figura central da primeira eucaristia do XXI SWR.

rsz_08obliterationObliteration (Foto: Pedro Félix)

Às 2.30 os portuenses Pestifer deram início ao princípio do fim com o seu blackened death metal de marca. A banda está no ponto, como provou a actuação, sem espinhas e, juntamente com a de Axia, que se lhes seguiu, a mais intensa do primeiro dia. E foram os Axia que encerraram a primeira comunhão a promover “Pulverizer”, um devocionário onde a palavra de ordem é um grindcore a lembrar Brutal Truth, mas com uma cadência “um tudo-nada” mais rápida. Bem como mais intensa. E animalesca, pronto. Quem pensava que a última banda do dia seria sinónimo de chill out saiu com as expectativas goradas.

rsz_10pestiferPestifer (Foto: Pedro Félix)

Voltando ao início, se a edição anterior parecia difícil de superar, a primeira comunhão do XXI SWR Barroselas Metal Fest conseguiu unir todos os espectros do metal mais agressivo com um cartaz mais underground, mas possuidor de uma qualidade invejável. Ámen.

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Texto: João Correia
Fotos: Pedro Félix

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