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[Reportagem]: Killimanjaro: um trepar de emoções (Aveiro, 12.04.2018)

Diogo Ferreira

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Killimanjaro
GrETUA – Aveiro – 12.04.2018

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Um dos sítios mais livres de Aveiro fica mesmo nas traseiras do estabelecimento prisional – uma ironia tão bela e triste ao mesmo tempo. Mas o GrETUA, onde quer que fosse a sua localização, seria sempre isto: liberdade e comunidade. Mais: a associação, que esteve a comemorar o seu 39º aniversário, tem tido a capacidade de encher a sua sala a qualquer dia da semana, e com Killimanjaro não foi diferente – estavam lá mais de 250 pessoas, a uma quinta-feira e numa cidade tantas vezes conservadora e mesquinha.

O dia não começou bem para a banda com o roubo da tarola e da pedaleira e o início do concerto também não augurava coisas boas porque uma corda da guitarra do José foi logo à vida, mas nada que não se resolvesse com rapidez enquanto Masquete no baixo e Joni na bateria improvisavam no seguimento do tema que estavam a tocar. Os percalços depressa ficaram para trás e o público, espalhado entre a plateia em pé e a bancada à retaguarda, estava sintonizado com uma banda que emana um rock n’ roll poderoso e sem igual – podemos dizer que é a melhor banda de rock n’ roll em Portugal? Epá, podemos. Durante aqueles cerca de 50 minutos esqueci a depressão que é ter pouco afecto pela maioria das pessoas e a pressão que é sentir-me observado por criaturas que não se conhecem de lado nenhum mesmo que olhem por coincidência, mesmo que esteja num sítio com centenas de pessoas que obviamente vão cruzar olhares. Já um abraço a um amigo ou um beijo a uma amiga que não se via há muito tempo constitui um breve conforto no meio do desconhecido. Mas tudo isso foi esquecido enquanto os Killimanjaro estavam em palco porque têm a habilidade de nos catapultar para dimensões, ainda que cá na Terra, que nos fazem usufruir de diversas sensações entre o arrepio da pele e a separação da alma do corpo. Ao som do melhor rock n’ roll que tenho ouvido nos últimos anos, o trio tanto nos enfia num CBGB lamacento com riffalhadas punk (houve saltos e crowdsurfing), como nos põe a passear no deserto enquanto se evoca um espírito navajo ou se alucina a mirar de perto um lagarto, como ainda nos manda para um bairro de Londres ao recriar (sempre à sua maneira) um elemento heavy metal que pode muito bem ser ouvido nos primeiros álbuns de Iron Maiden (como em “Made of Glass”). Ainda se ouviu um pouco de Chris Isaak e o no encore ressuscitou-se Lemmy com uma “Ace Of Spades” mais veloz e punk do que a original – e foi mesmo bem sacada!

Depois acabou e viemos tod@s alegres e contentes para a rua – nem chovia – conversar, rir e beber cerveja num dos sítios mais livres de Aveiro enquanto ali mesmo ao lado alguém estará confinado a uns curtos metros quadrados e a um colchão que deverá ser tudo menos confortável. Viver (até) é bom.

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Out Of Sight Fest 2018: Fitacola

Joel Costa

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É já amanhã que arranca o Out Of Sight Fest! A Ultraje teve uma breve conversa com os Fitacola antes de partirem para Faro.

Quais são as vossas expectativas para o Out Of Sight e o que poderá o público esperar do vosso concerto?

É sempre um prazer para nós poder participar em novos festivais. Esperamos um dia cheio de boa música e um público cheio de energia. O nosso concerto vai ter um reportório que passa pelos pontos altos dos 15 anos da banda e, claro, uma ou duas músicas do novo álbum.

Qual é a banda do cartaz que mais têm curiosidade em ver ao vivo e porquê?

Os To All My friends. É uma banda da qual já acompanhamos o trabalho desde o início e temos curiosidade em ver como resulta ao vivo.

Como avaliam o estado actual da cena punk rock em Portugal?

A cena punk rock tem os seus altos e baixos mas nunca morre. Neste momento está a atravessar um bom período com bandas como Viralata, Artigo21, Tara Perdida ou Fonzie a trabalharem em novos álbuns e a mostrarem que o punk rock em Portugal está vivo. Ainda este ano vamos lançar o nosso novo álbum, que baseia-se na aprendizagem e vivências dos 15 anos de banda. A cena está viva e recomenda-se!

Os Fitacola sobem ao palco do Out Of Sight sexta-feira, dia 14 de Setembro.

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Out Of Sight Fest: Em cartaz (Parte 2)

Joel Costa

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Um novo festival nascerá em Faro! Será nos próximos dias 14 e 15 de Setembro que a cidade algarvia recebe o primeiro Out Of Sight Fest, apresentando um cartaz onde são os nomes do punk e do hardcore que saltam à vista mas que oferece também espaço ao death metal e até mesmo ao rock. A Ultraje destaca alguns dos nomes que vão marcar presença nesta primeira edição do festival.

FITACOLA

Os Fitacola cantam em português e têm uma sonoridade que se aproxima de uns Pennywise ou até mesmo de uns The Offspring. Prestes a lançar um novo disco intitulado “Contratempo”, a banda de Coimbra acrescentará no Out Of Sight um novo parágrafo a uma história com 15 anos.

PRIMAL ATTACK

A cena groove/thrash nacional – principalmente a que se vivia para os lados de Lisboa e Setúbal – precisava de encontrar uma banda capaz de reinventar uma receita antiga e algo gasta, e foi precisamente aí que os Primal Attack entraram. Com uma sonoridade que tem como base um thrash moderno, a banda não segue nenhum atalho quando se trata de providenciar peso, complexidade e diversidade. Um dos nomes com mais potencial que temos no nosso Portugal.

GRANKAPO

As bandas que se vão apresentar no palco do Out Of Sight Fest vão ter diante de si um público bem aquecido e sedento por hardcore, pois por essa altura os Grankapo já lá terão passado. Ainda que não tenham grandes novidades no campo discográfico há alguns anos, os lisboetas vão activar o moshpit e fazer com que haja trovoada nessa noite.

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Semana Bizarra Locomotiva: Hip-hop, Jorge Palma e ginásio

Joel Costa

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Numa conversa onde o tema principal foram os discos que fazem parte da vida de Rui Sidónio, a Ultraje quis saber o que o vocalista e letrista dos Bizarra Locomotiva gosta de ouvir em determinadas situações.

Antes e depois de um concerto dos Bizarra Locomotiva: «Antes ou depois de um concerto de Bizarra não sou muito de ouvir coisas pesadas ou mais carregadas. Normalmente a escolha musical nem é minha. Nós vamos na carrinha e o nosso motorista é quase sempre o Alpha [máquinas], então ouvimos coisas mais alternativas, como hip-hop. [risos] Ouvimos muito hip-hop quando vamos para os concertos de Bizarra, ou então uma coisa mais alternativa. Temos que ter plena noção de que o som que fazemos cansa. É uma coisa que tens que reconhecer quando chegas ao fim de um dia. É intenso, faz sentido mas é algo que também cansa um bocado. Não cansa ouvir mas depois de um concerto eu procuro outra paz para depois extravasar tudo o que tenho a extravasar em cima do palco.»

A dada altura o músico menciona Jorge Palma. A Ultraje pediu para que Rui Sidónio tecesse um pequeno comentário: «No Jorge Palma atraiu-me a palavra. Não sei se conheces o disco “Só”, mas é um disco com ele ao piano, com versões de temas que já tinha. Fez em 2016 vinte e cinco anos e eu fui ver um dos concertos comemorativos, no CCB. É um escritor de letras maravilhoso; quem me dera escrever como ele.»

No ginásio: «No ginásio recorro a duas bandas, que são os Iron Maiden e os Suicidal Tendencies. Nunca falham para treinar! Eu ouço tanta coisa… Mas naqueles dias em que mais nada funciona diria que seria um álbum dos Iron Maiden ou dos Suicidal Tendencies, que é algo que me faz treinar. Músicas como “You Can’t Bring Me Down” e aquelas palavras de ordem que o Mike [Muir, vocalista] tem, são mais ou menos inspiradoras para quem está ali a lutar contra o ferro e muitas vezes contra a falta de vontade.»

Visita a loja online da Rastilho para conheceres as últimas novidades discográficas dos Bizarra Locomotiva, entre elas o mais recente longa-duração “Mortuário” e a re-edição do “Álbum Negro”.

 

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