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The Smashing Pumpkins “Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.”

Diogo Ferreira

Publicado há

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Editora: Napalm Records / Martha’s Music
Data de lançamento: 16 Novembro 2018
Género: rock alternativo

Amado e odiado em escalas semelhantes, Billy Corgan é, sem sombra de dúvidas, uma das figuras mais relevantes do rock alternativo, especialmente durante a década de 1990, não só pela música que criou mas também pela forma directa com que diz o que pensa e pelas polémicas mais pessoais em que esteve envolvido com, por exemplo, Courtney Love . Longe vão os constantes discos de platina, mas os The Smashing Pumpkins nunca deixaram de rodar aqui e ali à custa dos singles de sucesso que foram lançando ao longo da sua carreira. Estiveram na berra durante cerca de 12 anos e em 2000 foi cada um à sua vida. Billy Corgan e Jimmy Chamberlin prosseguiram a sua carreira com os pontuais Zwan e James Iha tem vindo a dar o seu contributo nos A Perfect Circle.

Corgan viria a reunir a banda algures em 2005-2006, mas só agora conseguiu ter ao seu lado Chamberlin, Iha e Jeff Schroeder (no grupo desde 2007). Com estes recursos humanos, que fazem os fãs rejubilar de entusiasmo, os The Smashing Pumpkins reaparecem com o longo título “Shiny And Oh So Bright, Vol. 1 / LP: No Past. No Future. No Sun.”

A abertura com “Knights of Malta” é uma agradável mistura de pop sedutora entre uns Soulsavers (que têm incluído Dave Gahan, dos Depeche Mode, nas suas fileiras) e Editors para, seguidamente, ouvirmos uma típica canção de The Smashing Pumpkins chamada “Silvery Sometimes (Ghosts)”. Nela recebemos um ritmo bem corrido e melódico, uma espécie de remake de outros feitos antigos mas que funcionou muito bem como single porque representa bem a reconhecida sonoridade da banda de Chicago. A quarta “Solara” será, porventura, a única directa recuperação do som grunge dos anos 90 que tanto significa para a banda e para o próprio género. A abordagem pop que já estava vincada, mas bem executada, na faixa inaugural volta a dar ar de si na quinta “Alienation” com o problema de nos fazer lembrar Coldplay… E faz doer o coração com toda a aflição de um enfarte do miocárdio. Ninguém é perfeito. Já em “Machin’ On”, os efeitos da guitarra bebem fortemente daquilo que Nigel Pulsford fez nos 10 anos que esteve nos Bush.

Não podemos dizer que este seja um regresso realmente bombástico, a não ser se tivermos em conta a formação actual da banda. Sem músicas insossas mas que também não arregalam os ouvidos ao máximo, este álbum poderá ser visto como um exemplo de falta de inspiração muito à custa de ouvirmos detalhes que já foram explorados vezes sem conta pela própria banda, mas, e por outro lado, desfrutemos de um Billy Corgan vocalmente em forma, dos arranjos orquestrais que acompanham grande parte das faixas e da prova que esta importante banda está viva e para as curvas. Esperemos que se mantenham por cá e que nos voltem a surpreender um dia destes, mesmo com 30 anos de carreira.

Nota Final

 

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Belzebubs “Pantheon of the Nightside Gods”

Diogo Ferreira

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Editora: Century Media Records
Data de lançamento: 26.04.2019
Género: black/death metal melódico

O que começou por ser uma BD da autoria do finlandês J.P. Ahonen transformou-se numa banda a sério quando, em Junho de 2018, surge o vídeo para “Blackened Call”, que hoje tem mais de 1.3 milhões de visualizações no YouTube. A divisão foi notória: se de um lado tínhamos os metaleiros com sentido de humor alargado (o som pode ser sério e extremamente bem executado, mas o visual é hilariante), do outro acantonavam-se os puristas com comentários do tipo ‘já não bastava termos Dethklok e Ghost…’.

“Blackened Call” esteve em constante rotação durante vários meses até que a Century Media Records anunciou o primeiro álbum “Pantheon of the Nightside Gods”. Ao longo de quase 55 minutos, as personagens Hubbath, Obesyx, Sløth e Samaël ganham forma e força sonora ao executarem temas embebidos numa melodia ultra-cativante baseada em black e death metal nas suas vertentes melódicas. Os leads e os solos são do mais épico que se pode esperar (“Blackened Call” e “Acheron”) se imaginarmos que Amon Amarth tiveram um encontro romântico com Dimmu Borgir, as ambiências (umas vezes sóbrias e quase despercebidas, outras vezes bem assentes, como em “Cathedrals of Mourning”) fazem-nos relembrar o gelo de Amorphis agora e o ocultismo sórdido de Cradle Of Filth depois (“Nam Gloria Lucifer”), e o sentido semiacústico de sonoridades como Opeth também foi não esquecido (“The Crowned Daughters”).

Pode parecer tudo perfeito, mas o que é certo é que a segunda metade do álbum perde-se um pouco em temas longos que fazem sentir a falta da patada veloz e melódica da primeira parte deste longa-duração, quase como se nos estivessem mesmo a dizer que aquelas faixas iniciais são as indicadas para promover o disco e as restantes são mais obra de criatividade direccionada a quem ouvirá o álbum na íntegra. Ainda assim, nada está perdido e a competência continua assegurada, tendo apenas de se ter alguma paciência para ouvirmos ICS Vortex (Arcturus) no tema-título que encerra o álbum.

Agora resta saber se conseguimos ouvir o álbum de forma estritamente séria sem imaginar os nossos companheiros a rebolar por uma ravina embrulhados numa gigante bola de neve em direcção a uma estalagem acolhedora… Será impossível. Faz parte e é assim que tem de ser.

Nota Final

 

 

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Månegarm “Fornaldarsagor”

Diogo Ferreira

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Editora: Napalm Records
Data de lançamento: 26.04.2019
Género: folk metal

Ao nono álbum, os Månegarm convidam-nos a participar numa jornada pelos tempos ancestrais do pré-Cristianismo através do seu metal folclórico que tem vindo a desenvolver-se desde 1995.

Com uma entrada tempestuosa e furiosa protagonizada por “Sveablotet”, os suecos misturam em si mesmos a música extrema do black metal robusto em background que se transforma em death metal melódico na frente através de leads luminosos (“Tvenne drömmar”). Há por todo o disco um sentido épico com especial foco nos refrãos gloriosos, melodiosos e cativantes que tanto são próximos de vocais limpos como berrados com um sotaque nórdico muito carregado (“Spjutbädden”). Para além de toda esta mescla energética, há, claro, incursões mais típicas do folk metal, como é representado na melancólica e nostálgica “Ett sista farväl” que, a mid-pace, inclui voz feminina e violino, um instrumento que, no seu devido lugar, vai sendo ouvido ao longo destes novos oito temas.

“Fornaldarsagor” é, em última análise, a prova de que a chama pagã está bem acesa e alimentada, o que agradará a fãs de, por exemplo, Vintersorg.

Nota Final

 

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Allegaeon “Apoptosis”

João Correia

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Editora: Metal Blade Records
Data de lançamento: 19.04.2019
Género: death metal técnico

“Proponent For Sentience”, de 2016, foi o expoente máximo criativo e técnico dos Allegaeon e, com ele, entraram directamente para a primeira liga do death metal técnico, fincando nela os pés de tal maneira que seria impossível regredirem. Geralmente, uma banda de topo lança um disco destes em toda a sua carreira: “Master of Puppets”, “Reign In Blood” e “Unquestionable Presence” são exemplos de discos assim, que conseguem deixar uma marca temporal muito duradoura e que acabam por servir de ponto de partida para outras bandas. Com “Apoptosis”, os Allegaeon conseguem o improvável, que é como quem diz: crescerem musicalmente, criarem um registo ainda melhor do que o anterior e deixarem-nos novamente na dúvida se conseguirão fazer melhor com o próximo disco.

O segredo que faz de “Apoptosis” um disco mais dinâmico do que “Proponent For Sentience” deve-se à maior naturalidade e aceitação de conceitos que a banda passou a praticar na novidade, que demonstra incontestavelmente uma superioridade criativa que o anterior tentava atingir, mas forçadamente. A intro “Parthenogenesis” poderia ter saído dos Revocation ou dos Obscura, tal é a perfeição e virtuosismo presente em cada instrumento sem perder catchiness (bem pelo contrário), e culmina imediatamente no início de “Interphase Meiosis”, um projéctil ultratécnico que nos faz sorrir de satisfação, coisa rara numa época em que tropeçamos em macaquinhos de imitação a cada esquina que dobramos. Segue-se “Extremophiles”, que uma vez mais apresenta uma estrutura coesa, velocidade, muito peso e mais solos deliciosos. Nesta faixa descobrimos ainda que a saída do baixista Corey Archulleta basicamente não prejudicou a banda, muito pelo contrário, mesmo porque Brandon Michael, o seu substituto, consegue imprimir aos Allegaeon uma palete de cores diversas devido à sua proficiência musical, tanto teórica quanto prática. Depois, a voz de Riley McShane está cada vez mais agressiva, havendo também lugar para imensas partes vocais límpidas. Acrescente-se a tudo isto uma secção de percussão muito mais rápida e perfeccionista do que anteriormente e ficamos bastante impressionados com a evolução significativa da banda.

Com os seus solos impossíveis e brutalidade técnica, “The Secular Age” e “Exothermic Chemical Combustion” aumentam a fasquia da nossa exigência crítica para outro patamar – é impossível apontar erros, de dizer ‘ah, aqui se calhar ficava melhor isto ou aquilo’. Poucas vezes nos deparamos com dois trabalhos cujo único termo que nos ocorre para os denominar é ‘erudito’. “Metaphobia” é um tema perfeito para partir uns quantos ossinhos no pit, ao passo que “Tsunami And Submergence” e “Colors Of The Currents” exploram os momentos mais progressivos da banda, com melodias sublimes que entram à primeira e não mais saem. O sci-fi tech-death regressa na forma de “Stellar Tidal Disruption”, a melhor faixa do álbum e que nos recorda vividamente Vektor, mas muito mais à frente. A final “Apoptosis” junta bits e bytes de cada uma das faixas anteriores e proporciona um final épico digno dos Allegaeon, os novos reis do death metal técnico… Bom, talvez seja exagerado colocar as coisas nestes termos, mas é muito pouco provável que 2019 nos brinde com um disco de death metal melhor do que “Apoptosis”, que não é menos do que um diamante perfeito lapidado pelas mãos dos melhores artesãos. Daqui em diante é sempre a descer para os Allegaeon.

Nota Final

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