Spock’s Beard “Noise Floor” [Nota: 7.5/10] – Ultraje – Metal & Rock Online
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Spock’s Beard “Noise Floor” [Nota: 7.5/10]

Editora: InsideOut Music
Data de lançamento: 25 Maio 2018
Género: rock progressivo

Desde que os Spock’s Beard surgiram, no início da década de 1990, que o rock progressivo norte-americano, daquele que se preocupa mais com as melodias e as estruturas do que com o show off ou o peso, ganhou a sua face mais visível. Ao longo de uma dúzia de álbuns, a banda soube sobreviver ao abandono de dois dos seus frontmen (Neal Morse em 2002 e Nick D’Virgilio em 2011), lançando sempre discos muito relevantes para o género, plenos de profundidade e qualidade.

Agora, ao chegar ao novo registo, o quinteto é uma banda plenamente madura e relativamente estável. Ted Leonard vai no seu terceiro disco no grupo, o guitarrista Alan Morse, o baixista Dave Meros e o teclista Ryo Okumoto são membros veteranos que pertencem ao colectivo desde os anos 1990, e para gravar a bateria de “Noise Floor” a banda fez regressar Nick D’Virgilio. Não admira, por isso, que o novo registo dos Spock’s Beard seja uma espécie de celebração do rock progressivo épico do projecto. Se existe alguma diferença considerável em relação a “The Oblivion Particle”, de 2015, é o facto de a maioria das 12 canções (sim, são grandes, e sim, o disco é duplo) serem um pouco mais melódicas, de refrão mais fácil e directas. Mas não se trata de uma mudança radical: os solos de guitarra de Morse continuam a “chorar” lágrimas de melodia, enquanto Okumoto vai pavimentando a estrada com camadas de Hammond, e a secção rítmica vai respondendo impecavelmente a todas as pequenas e subtis reviravoltas que a escrita de “Noise Floor” lhe põe à frente. Ted Leonard, esse, é o joker conhecido do lado melódico dos Spock’s Beard, com aquela interpretação empenhada e sentida que quem conhece bem os Enchant, a sua outra banda, lhe reconhece e admira.

“Noise Floor” é, por isso, um disco admirável? Não chegamos a tanto. Apesar desse lado mais imediatista e apesar de alguns arranjos acústicos de violino, violoncelo e viola agraciarem alguns dos temas, não chega a ser um trabalho muito diferente dos seus antecessores. É apenas (“apenas”) mais uma dose de Spock’s Beard que, numa fase da carreira em que a criatividade é pouco exuberante mas a classe é invejável, fazem mais um trabalho que não desiludirá os seus fãs mas que não convencerá quem nunca os “comprou”.  Vale o que vale.

 

7.5/10
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