Toundra: turbilhão, o quinto (entrevista c/ Alberto Tocados) – Ultraje – Metal & Rock Online
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Toundra: turbilhão, o quinto (entrevista c/ Alberto Tocados)

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Numa altura marcada pelo ponto de viragem da primeira década de carreira, os madrilenos Toundra editam “Vortex”, quinto álbum de originais que os reafirma como um dos nomes grandes do rock n’roll instrumental europeu. Sem qualquer tipo de lastro causado pelo segundo lugar na tabela de vendas espanholas alcançado pelo último “IV” e pelos mais de 150 concertos em 18 países para promover o disco, o quarteto apresenta um conjunto de temas confiante, directo, emotivo e sísmico. Alberto Tocados, responsável pelo baixo e sintetizadores, tirou uns minutos da sua ocupada agenda para falar com a Ultraje sobre o novo disco, projectos paralelos e a nova geração de bandas madrilenas.

«Estamos confiantes no trabalho que fizemos.»

Este é o vosso primeiro álbum desde que chegaram a um outro nível de popularidade com o [trabalho anterior] “IV”. Existiu algum nível extra de pressão envolvido na criação deste disco por causa disso?
Bem, existe sempre pressão depois do primeiro álbum, tenha ele sucesso ou não. Temos lutado muitas vezes com o estigma “fazer melhor do que o anterior” e tem ficado cada vez mais difícil. Mas também estamos confiantes no trabalho que fizemos.

Tocar rock instrumental e já ter quatro trabalhos editados faz-vos ter algumas dificuldades quando é tempo de ter novas ideias? Como evitam repetir-se?
Fizemos um álbum com um outro projecto entretanto e isso ajudou-nos bastante a descobrir novas abordagens à nossa música. Tentámos mudar tudo neste disco: o trabalho gráfico, os produtores, os instrumentos… Ajuda sempre manter as coisas frescas.

Hoje em dia uma banda tem de estar sempre em digressão se quer manter-se relevante. O facto de tocarem a vossa música tantas vezes seca um pouco o entusiasmo e a energia de dar um concerto?
Não nos preocupamos com isso, uma vez que não vivemos da música. Já toquei cinco ou seis vezes com febre, o que não é quase nada se compararmos com o facto de andarmos em digressões há cerca de dez anos. Esfria um pouco o entusiasmo das viagens talvez, mas o espectáculo faz-nos sempre esquecer quão doentes estamos. A parte fixe é que depois de tocarmos a nossa equipa arruma o nosso equipamento por nós!

Considerando as escolhas na carreira de bandas como Long Distance Calling, alguma vez consideraram a hipótese de acrescentarem voz à vossa música, mesmo que fosse apenas para algumas faixas? Acham que poderia funcionar?
Como foi referido há pouco, fizemos um álbum inteiro com um vocalista. Era um cantor de flamenco chamado Niño de Elche e o projecto chamava-se Exquirla. É algo que gostamos de fazer como projecto paralelo ou colaboração, mas não como Toundra a tempo inteiro.

«Este disco é um tributo a salas de concertos e bandas em digressão.»

Ao contrário dos vossos álbuns anteriores, cujos títulos eram apenas numerados, este tem um título com uma palavra. Porquê e porquê agora?
Sentimos que o “IV” era o final de uma era para nós. Como foi anteriormente referido, queríamos fazer algo diferente porque sentimos que era um grande salto em frente nas nossas vidas. E também porque “Vortex” é o nome de um dos locais onde habitualmente tocamos na Alemanha, e este disco é um tributo a salas de concertos e bandas em digressão.

Normalmente têm temáticas fortemente sociais e políticas na vossa música. Que temas abordam com este álbum e qual é a vossa abordagem a eles?
Este disco é possivelmente mais aberto do que os anteriores. Mas estamos a preparar um vídeo muito sociopolítico para o nosso primeiro single “Cobra”. Vai ter imagens e vídeos feitos pelo Manu Brabo, um fotojornalista que trabalhou no Médio Oriente e que retratou a crise dos refugiados.

Como é a cena madrilena actualmente? Que jovens bandas boas têm emergido?
Há imensas bandas jovens a aparecerem actualmente e têm estado a dar-se muito bem com os projectos mais antigos que há por aqui. Adoro o modo como diferentes gerações de músicos se juntam num projecto como Trono De Sangre. Recomendo também os Melange, que pegam num bom punhado de influências clássicas espanholas e as misturam com kraut e rock psicadélico. Vale mesmo a pena ouvir.

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