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[Reportagem] Under The Doom VI: a aclamação, os hipsters e o drum’n’bass

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Shining (Foto: João Correia)

Como já vem sendo tradição, os últimos dias de Outono trazem o mais importante festival de doom às noites lisboetas. E este ano não foi excepção. Com um cartaz variado, ousado e algo imprevisível, os fãs do género de metal mais hyped dos últimos anos tiveram direito a um pouco de tudo. E houve um bocadinho de mixed feelings também para apimentar a coisa.

Dia 1 – 07.12.2018
A noite começou cedo para os israelitas Wyatt E. que, enquanto a sala ainda se compunha de malta que estava a chegar dos empregos, fez uma demonstração cabal do seu drone/doom metal de influências orientais. Por detrás de máscaras crípticas, foram largando ondas de riffs monolíticos, padrões rítmicos arábicos e sintetizadores hipnóticos que conquistaram o público que ia chegando. Merecem um regresso ao Under The Doom e, quem sabe então, uma presença mais acima no cartaz. Quem não se pode queixar de falta de estatuto são os holandeses The Wounded que, em ano de celebração de duas décadas de carreira, brindaram os fãs portugueses com uma demonstração eficaz do seu doom rock gótico. Apesar do início de concerto meio parado, a partir da terceira música, “Running on Empty”, o sexteto fez sentir o calor do som expansivo que preconiza, misto de The Loveless e Fall Of The Leafe com passagem por Pink Floyd, com um bom uso das três guitarras que tinha em palco. Uma versão bem engendrada de “Smells Like Teen Spirit” ajudou a animar as hostes que, apesar de estarem ali por outros motivos, reconheceram aos holandeses o valor que têm e brindaram-nos com um caloroso rugido final. Os Desire jogavam em casa e, apesar de praticarem um género musical bem menos imediato que os The Wounded, deram um daqueles concertos intensos em que o seu death/doom metal melódico e dolorosamente melancólico conquista a audiência em vagas. Com uma setlist que se não se furtou aos clássicos mas deixou espaço para um tema novo – “Scars Of Disillusion” – e com o violinista Tiago Flores (Corvos) e a soprano Rute Fevereiro (Enchantya) como convidados especiais em palco, os lisboetas fizeram aquele ritual solene de doom que quem já assistiu a um dos seus concertos conhece bem. Seguiu-se While Heaven Wept cuja digressão de despedida tinha no Under The Doom VI a única data portuguesa. E os norte-americanos não desiludiram, oferecendo ao público uma demonstração convincente do doom/heavy metal progressivo que lhes valeu quase três décadas de uma carreira exemplar. Com qualidade de som meio embrulhada ao início, o colectivo foi vendo as condições melhorarem à medida que o espectáculo avançava em direcção a um final apoteótico. O guitarrista Tom Phillips, de estilo bem mais efusivo e bluesy que o seu companheiro de instrumento Scott Loose, assim como o vocalista Rain Irving, sempre simpático e comunicativo, são os principais pontos de interesse numa banda que vai deixar saudades e um enorme espaço em branco na cena prog-doom.

Os Draconian eram uma das principais atracções do primeiro dia do festival, mas tiveram uma espécie de falsa partida quando o microfone da vocalista Heike Langhans falhou no primeiro tema (precisamente “Stellar Tombs”, um dos mais emblemáticos da banda). O grupo não acusou o toque, manteve a compostura e arrancou para um set sólido e intenso de doom metal gótico que foi melhorando à medida que o som ia ficando mais claro. Apesar das posturas algo antagónicas dos vocalistas (Heike mais solene, Anders Jacobsson mais intrépido), a coesão dos Draconian em palco é real e Johan Ericsson, o mentor do projecto, lidera discreta mas solidamente com os seus soberbos leads de guitarra e a experiência de duas décadas e meia de doom. Os Arcturus regressavam a Portugal e ninguém sabia bem o que esperar, dados os níveis de loucura e imprevisibilidade por que a banda é conhecida. ICS Vortex, Hellhammer e companhia não deixaram os créditos por mãos alheias numa prestação de mixed feelings em que, por um lado, a liderança do vocalista, ex-Dimmu Borgir, é mesmerizante e realmente entretém, mas por outro esta versão da banda ao vivo deixa alguns temas, nomeadamente os mais antigos, sem os arranjos que os tornam especiais. Com a experiência acumulada que têm, os Arcturus sabem disso e transformaram o seu espectáculo numa espécie de circo em que o baixista Skoll ganha tanto protagonismo quanto a máquina que está por trás da bateria, numa espécie de versão low end drum’n’bass de Arcturus. Bem feita, competente e progressiva, é certo, mas sem a componente cénica, os arranjos lascivos e a magia atmosférica que os fãs mais antigos desejariam.

Dia 2 – 08.12.2018
O segundo dia da edição deste ano do Under The Doom arrancou com uma das melhores estreias do ano do género: os Collapse Of Light. Liderados pelo veterano de voz mítica Carlos Borda D’Água (ex-Sculpture, Evisceration, Before The Rain), que encabeça um elenco em que também cabem a vocalista finlandesa Natalie Koskinen (Shape Of Despair) e os ex-Before The Rain Gonçalo Brito e Carlos Monteiro, os Collapse Of Light apresentaram o disco “Each Falling Steps” e trataram o doom/death metal melódico com reverência e classe. Os islandeses Kontinuum traziam uma estirpe de música diferente ao festival: pós-black metal progressivo. E, por mais genérico que o ‘rótulo’ soe, a banda fá-lo funcionar à base de três guitarras, sentimento de sobra que faz com que um deles tire as botas à entrada para o palco para ‘sentir’ as vibrações, e uma abordagem que mistura momentos mais introspectivos, voz limpa e a habitual sonoridade mais agressiva. Para Lisboa, o colectivo de Reiquiavique concentrou-se no material mais pesado e directo dos seus três discos, com enfoque no último – o brilhante “No Need To Reason” – e deu boa conta do recado. Mas nada podia ter preparado quem nunca tinha visto Sinistro ao vivo para o concerto se seguiu. Os lisboetas entregam-se ao sludge/doom/pós-metal de corpo e alma e dão um espectáculo ímpar. A performance da vocalista Patrícia Andrade é o catalisador de uma actuação que inclui um muro de riffalhões, projecção dos clips da banda e uma secção rítmica que equilibra coordenação e fluidez com a naturalidade de quem tem muitas horas de palco. Um estrondo que atingiu de frente quem não estava à espera de uma prestação com a força e qualidade que os Sinistro foram capazes de ter e sentiu-se a aclamação, finalmente na sua cidade natal, esperada por quem já os conhecia. Não estava fácil para os Antimatter subirem ao palco depois de os Sinistro destruírem o público, mas Mick Moss e os seus homens não se intimidaram. A apoteose do lead dos discos dos ingleses transformou-se na apoteose do lead em concerto, com a voz quente de Mick Moss a liderar processos e os clássicos de duas décadas e meia e sete discos de estúdio foram deslizando pelo palco com a facilidade e competência de quem tem um som que deve tanto aos Anathema como aos Pink Floyd. Até que, quase no final da actuação, o sempre bem-disposto Moss chamou ao palco o guitarrista luso Luís Fazendeiro para a interpretação de “War”, tema do álbum de Sleeping Pulse, projecto colaborativo de ambos que, com o qual lançaram o álbum de estreia em 2014.

Quando dois seguranças vieram posicionar-se ao lado do palco, sabia-se que era altura dos suecos Shining entrarem em acção. O toque (rectal) de black metal do Under The Doom deste ano foi dado por Niklas Kvarforth e a sua entourage, que não deixaram a sua fama de controvérsia nos camarins. Com a postura agressiva e o olhar lunático que o caracteriza, o imprevisível sueco é um dos melhores animais de palco da cena actual e transforma naturalmente aquilo que podia ser (mais) um concerto de black metal melódico numa celebração energética e crua que deve a alma ao espírito punk. Kvarforth não se esquivou a confrontos verbais com o público, à companhia do seu velho amigo Jack Daniels e nem os técnicos de som do palco escaparam à fúria do vocalista enquanto as coisas não estavam perfeitas. Um ‘circo’ que funciona sempre e que, só por si, valia perfeitamente o dinheiro do bilhete. Só uma banda com o calo dos Sólstafir podia herdar o palco de uns Shining em brasa, e foi precisamente isso que aconteceu. O quinteto está bem à altura do hype que se criou à sua volta e domina com mestria a arte de entreter, usando o lado mais directo e pesado do pós-rock/metal para basear o seu set, construindo a partir daí a dinâmica com a hipnose e a atmosfera que completam a música que praticam. Aðalbjörn Tryggvason, guitarrista e vocalista, é o chefe de cerimónias cuja presença mesmeriza e desvia atenções de um colectivo composto por músicos que, para além de dotados tecnicamente, são ‘personagens’ como apenas as bandas mais marcantes conseguem ter. Ao longo de mais de uma hora, os Sólstafir foram desfilando temas que espelham o brilhantismo da sua carreira e provaram que sabem ir mais além do que manter o público – que já era seu – na mão. Sabem correr aquele quilómetro extra que faz as pessoas lembrarem-se dos seus concertos anos a fio e irem para casa com a sensação que acabaram de assistir a um momento único das suas vidas.

Texto: Fernando Reis
Fotos: João Correia
Edição de fotos: Rute Gonçalves

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Nuno Bettencourt, Tom Morello e Scott Ian tocam tema de Game Of Thrones

Diogo Ferreira

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Consagrada como uma das séries mais populares de sempre, Game Of Thrones, que terminou na última madrugada, teve a capacidade de exultar nos seus fiéis seguidores todas as emoções desde o seu início com o genérico criado por Ramin Djawadi.

No clip abaixo, Djawadi é acompanhado por Dan Weiss (criador da série), Tom Morello (Rage Against The Machine), Scott Ian (Anthrax), Nuno Bettencourt (Extreme) e Brad Paisley numa jam session com as novas guitarras Fender em que tocam precisamente o tema principal de Game Of Thrones com muito free-style solista pelo meio.

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Sabaton History Channel, ep. 15: o Barão Vermelho

Diogo Ferreira

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No novo episódio do Sabaton History Channel, Joakim Brodén e Indy Neidell escolhem falar do tema “The Red Baron” que pertence ao próximo álbum “The Great War”, a ser lançado a 19 de Julho pela Nuclear Blast.

O Barão Vermelho é um do ícones heróicos da I Guerra Mundial que, simultaneamente, engloba a mecanização e a romantização da guerra moderna com as suas habilidades e heroísmo. Manfred von Richthofen é o nome verdadeiro do piloto que é, então, recordado em mais um episódio do Sabaton History Channel.

Mais episódios AQUI.

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Jinjer ao vivo no Resurrection 2018 (c/ vídeo)

Diogo Ferreira

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Foto: Veronika Gusieva

Abaixo podes assistir à prestação dos Jinjer no Resurrection de 2018. Recentemente disponibilizado pelo próprio festival, este vídeo servirá para aguçar a vontade que os fãs desta banda têm para os ver no Vagos Metal Fest deste ano. Nos quase 40 minutos de concerto, os Jinjer executaram temas como “Words Of Wisdom”, “I Speak Astronomy”, “Pisces” ou “Captain Clock”.

O EP “Micro”, lançado em Janeiro de 2019 pela Napalm Records, é o registo mais recente dos ucranianos que, como referido, actuarão no Vagos Metal Fest, evento que se realiza entre 8 e 11 de Agosto. Stratovarius, Six Feet Under, Satyricon, Candlemass, Death Angel, Watain e Alestorm são alguns dos nomes do cartaz.

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